Estamos na Oitava de Natal. Nestes dias, a Santa Igreja celebra 8 dias de festas, iniciando com o nascimento de Jesus, dia 25 de dezembro, indo até o dia 1º de janeiro, dia de Santa Maria, Mãe de Deus. E no primeiro domingo após o Natal, celebramos a Sagrada Família. Deus nos deu um exemplo de família a seguir. Nela, vemos São José, exemplo de pai cuidadoso, protetor, provedor, homem justo e temente a Deus. Vemos Nossa Senhora, exemplo de pureza, de sabedoria, de amor, de vida totalmente entregue à vontade de Deus. E vemos Jesus, filho obediente ao pai, um Rei que se fez aprendiz de São José e de Nossa Senhora, com quem tinha uma relação divinamente admirável.

Quantos exemplos de santidade encontramos na Sagrada Família. Recorramos a ela, pedindo a graça de que esta Santa Família more conosco, em nossas casas, e em nossos corações, conduzindo-nos também, confiantes, a fazermos sempre a vontade de Deus.

Meditemos nestas palavras de São Josemaria Escrivá sobre a Sagrada Família, e rezemos com Santo Afonso de Ligório uma oração feita por ele, onde ele nos aconselha a rezarmos todos os dias, diante de uma imagem da Sagrada Família.

HOMILIA DE SÃO JOSEMARIA NA FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA

São Josemaria Escrivá

Estamos no Natal!

Vêm-nos à lembrança os diversos fatos e circunstâncias que rodearam o nascimento do Filho de Deus, e o olhar detém-se na gruta de Belém, no lar de Nazaré. Maria, José e Jesus Menino ocupam, de modo muito especial, o centro do nosso coração.

Que nos diz, que nos ensina a vida ao mesmo tempo simples e admirável dessa Sagrada Família?

Entre as muitas considerações que poderíamos fazer, quero comentar agora principalmente uma. O nascimento de Jesus significa, como diz a Escritura, a inauguração da plenitude dos tempos, o momento escolhido por Deus para manifestar por inteiro seu amor aos homens, entregando-nos o seu próprio Filho. Essa vontade divina cumpre-se no meio das circunstâncias mais normais e comuns: uma mulher que dá à luz, uma família, uma casa. A Onipotência divina, o esplendor de Deus, passam através das realidades humanas, unem-se ao elemento humano. A partir daí, nós, os cristãos, sabemos que, com a graça do Senhor, podemos e devemos santificar todas as realidades nobres da nossa vida. Não há situação terrena, por mais insignificante e vulgar que pareça, que não possa ser ocasião de um encontro com Cristo e etapa do nosso caminhar para o reino dos céus.

Por isso, não é de estranhar que a Igreja se alegre e se rejubile, contemplando a modesta morada de Jesus, Maria e José. É grato – reza o hino de matinas desta festa – recordar a pequena casa de Nazaré e a existência simples que ali se vive, celebrar com cânticos a simplicidade humilde que rodeia Jesus, a sua vida escondida. Foi ali que, ainda menino, Ele aprendeu o ofício de José, foi ali que cresceu em idade e participou num trabalho de artesão. Junto dele sentava-se sua doce Mãe; junto de José vivia a sua esposa bem-amada, feliz de poder ajudá-lo e oferecer-lhe seus cuidados.

AO PENSAR NOS LARES CRISTÃOS, GOSTO DE IMAGINÁ-LOS LUMINOSOS E ALEGRES, COMO FOI O DA SAGRADA FAMÍLIA.

Ao pensar nos lares cristãos, gosto de imaginá-los luminosos e alegres, como foi o da Sagrada Família. A mensagem do Natal ressoa com toda a força: Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens de boa vontade. Que a paz de Cristo triunfe em vossos corações, escreve o Apóstolo. A paz de nos sabermos amados por nosso Pai-Deus, incorporados em Cristo, protegidos pela Virgem Santa Maria, amparados por José. Essa é a grande luz que ilumina nossas vidas e que, por entre as dificuldades e misérias pessoais, nos impele a continuar para a frente, cheios de ânimo. Cada lar cristão deveria ser um remanso de serenidade em que, por cima das pequenas contrariedades diárias, se pudesse notar uma afeição profunda e sincera, uma tranquilidade profunda, fruto de uma fé real e vivida.

Para um cristão, o matrimônio não é uma simples instituição social, e menos ainda um remédio para as fraquezas humanas: é uma autêntica vocação sobrenatural. Sacramento grande em Cristo e na Igreja, diz São Paulo, e, ao mesmo tempo e inseparavelmente, contrato que um homem e uma mulher estabelecem para sempre, porque – queiramos ou não – o matrimônio instituído por Jesus Cristo é indissolúvel: sinal sagrado que santifica, ação de Jesus que se apossa da alma dos que se casam e os convida a segui-Lo, transformando toda a vida matrimonial em um caminhar divino sobre a terra.

Os casados estão chamados a santificar o seu matrimônio e a santificar-se a si próprios nessa união; por isso, cometeriam um grave erro se edificassem a sua conduta espiritual de costas para o lar, à margem do lar. A vida familiar, as relações conjugais, o cuidado e a educação dos filhos, o esforço necessário para manter a família, para garantir o seu futuro e melhorar as suas condições de vida, o convívio com as outras pessoas que constituem a comunidade social, tudo isso são situações humanas, comuns, que os esposos cristãos devem sobrenaturalizar.

A fé e a esperança têm que manifestar-se na serenidade com que se encaram os problemas, pequenos ou grandes, que surgem em todos os lares, no ânimo alegre com que se persevera no cumprimento do dever. Assim, a caridade inundará tudo e levará a compartilhar as alegrias e os possíveis dissabores, a saber sorrir, esquecendo as preocupações pessoais para atender os demais; a escutar o outro cônjuge ou os filhos, mostrando-lhes que são queridos e compreendidos de verdade; a não dar importância a pequenos atritos que o egoísmo poderia converter em montanhas; a depositar um amor grande nos pequenos serviços de que se compõe a convivência diária.


ORAÇÃO SE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO PARA SE RECITAR TODOS OS DIAS DIANTE DA IMAGEM DA SAGRADA FAMÍLIA

Amantíssimo Jesus, que pelas vossas inefáveis virtudes e exemplos de vida doméstica, consagrastes a família que para vós escolhestes na terra, lançai um olhar misericordioso sobre a nossa família, que, prostrada a vossos pés, vos pede lhe sejais propício. Lembrai-vos que esta casa vos pertence, pois foi dedicada e consagrada a vós para vos honrar com especial culto.
Protegei-a na vossa bondade, livrai-a dos perigos, vinde em seu auxílio nas necessidades, concedei-lhe a força de perseverar sempre na imitação da vossa Santa Família, a fim de que, fielmente presa ao vosso serviço e amor por todo o curso da sua vida mortal, possa depois cantar os vossos eternos louvores nos céus.

Ó Maria, Mãe dulcíssima, eis-nos aqui implorando a vossa proteção, certíssimos de que vosso divino e único Filho atenderá às vossas súplicas.

E vós também, gloriosíssimo Patriarca São José, concedei-nos o apoio do vosso poderoso patrocínio, e ponde os nossos votos nas mãos de Maria, para que ela os apresente a Jesus Cristo.

Jesus, Maria, José, esclarecei-nos, socorrei-nos, salvai-nos.
Assim seja.

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