Meditação para o Dia 11 de Março

Bom sinal nas obras de Deus é o sinal da Cruz. Basta dizer que é este o sinal do cristão. Não o aprendemos na primeira lição do catecismo? Para se conhecer se uma obra é verdadeiramente de Deus, é mister verificar se traz o selo da contradição, das perseguições, dos reveses.

Carta sem selo não segue ou chega com multa ao destino. Nossa alma também não chegará ao seu destino, à Bem-aventurança, à posse de Deus sem que esteja selada pela penitência ou pela inocência. O selo inviolável da inocência, bem poucos o levam, mas o da penitência é indispensável, sob pena de condenação ou da multa terrível do Purgatório.

Nem todos nós podemos abraçar as austeridades dos anacoretas ou a vida monástica, mas podemos, todos, fazer a penitência que Deus nos envia nas amarguras e reveses da vida, na contradição, na luta contra o nosso eu.

E, quando empreendermos alguma obra de puro interesse da glória de Deus, estejamos convencidos de que, sem a cruz, ela não poderá prosperar. O selo da cruz é que dá valor a tudo. Nas obras de Deus e das almas, dizia São Vicente de Paulo:

“O sinal de que Deus tem grandes desígnios sobre elas é enviar-lhes penas sobre penas, desolações sobre desolações”

Não é, pois, bom sinal o selo da contradição e das perseguições nas obras de Deus?



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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 82)


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