VOCAÇÃO DE JESUS!
Deus seja amado com todas as forças de nosso coração e de nossa alma.
12/04/2021

“Dirigi os vossos passos pelo caminho certo. Os que claudicam tornem ao bom caminho e não se desviem”

(Hb 12, 13)

A maioria de nós já leu, escutou esse versículo bíblico. Talvez alguns de nós não tenha parado para meditar o que São Paulo está nos dizendo. Um modo que ajuda a entendermos melhor é meditarmos nas palavras:
– DIRIGIR
– PASSOS
– CERTO
– CLAUDICAM
– TORNEM
– CAMINHO
– DESVIEM

Meditar um pouco sobre essas palavras, que encontramos nesse versículo, nos fará entender pelo menos um pouco da profundidade desse conselho espiritual necessário à nossa vida.


DIRIGI OS VOSSOS PASSOS PELO CAMINHO CERTO

A Palavra de Deus diz que devemos DIRIGIR nossos passos pelo CAMINHO certo. Ou seja, por um CAMINHO que não se desvia, não varia entre certo e errado, bem e mal, mas se mantém no bem. Um CAMINHO em que não haja erros, palavras e comportamentos dúbios ou mentiras, mas que haja acertos, honestidade e verdade.

Quando Deus nos criou, Ele nos deu o dom da liberdade. Por causa da liberdade, temos o direito de fazer escolhas; por causa do direito, temos o dever de sermos responsáveis por DIRIGIR NOSSAS VIDAS.

  • DIRIGIR os passos, PASSOS no sentido de direcionamento;
  • DIRIGIR pensamento e comportamento.

Sendo assim, DIRIGIR nossos PASSOS consiste em direcionar a vida no CAMINHO certo, o caminho certo é dar à vida o hábito da boa conduta. A boa conduta é permanecer em Jesus Cristo, porque Jesus é o CAMINHO. DIRIGIR é dar um rumo, dar rumo significa não CAMINHAR aleatoriamente. O católico que não pensa e planeja como DIRIGIR sua vida no CAMINHO que é Jesus, DIRIGE sem norte, vive à toa.

DIRIGIR os passos pelo CAMINHO certo, que é Jesus, significa que devemos supervisionar nossas vidas para a administramos segundo a vontade de Deus. Quando uma família (pais, filhos, netos), alguns amigos, resolvem fazer uma viagem em seus carros por uma terra que não conhecem, os cabeças da viagem reúnem os viajantes e dizem qual o destino, como será a rota e qual a duração da viagem.

Para isso, eles pegaram informações, estudaram mapas, viram a situação climática, traçaram uma rota segura; um veículo vai na frente, os outros, dirigindo seus veículos, seguem o carro da frente, segundo o planejamento feito. Se um dos carros DIRIGE sem seguir o líder, ele DIRIGE fora da rota; irá se perder, porque saiu do rumo do comboio; ele estará sozinho, sem a ajuda e proteção dos demais veículos. Assim como esse motorista DIRIGIU seu carro para longe dos carros de sua família, assim um católico pode DIRIGIR sua vida para longe de Jesus, da Igreja que Jesus fundou em Pedro e de sua família católica.

DIRIGIR os PASSOS, que é DIRIGIR o pensamento e comportamento, requer responsabilidade, sem a qual o católico DIRIGIRÁ a si mesmo para estradas ruins que parecem boas, mas são as estradas espaçosas, largas, bonitas, muito movimentadas, da perdição eterna. “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e numerosos são os que por aí entram”. (Mt 7,13)

O Senhor disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. (Jo 14,6) 

Apesar de sermos indignos, Deus nos deu a dignidade de DIRIGIRMOS nossas vidas no CAMINHO que é a Pessoa de Jesus. É claro que Jesus não é uma rodovia federal, nem um CAMINHO de terra que leva a algum lugar na terra. Jesus é o CAMINHO, porque Ele é a pessoa, é o único Deus que pode nos salvar, se permanecermos Nele.  

“Permanecei em mim e eu permanecerei em vós’’

(Jo 15, 4)

DIRIGIR nossa vida no Caminho que é Jesus, significa permanecer em Jesus. Permanecer em Jesus significa permanecer em Sua Palavra. Significa, amar, crer, obedecer sua Palavra. “E Jesus dizia aos judeus que nele creram: Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos” (Jo 8,31).

Nós DIRIGIMOS nossas vidas, mas não a DIRIGIMOS segundo nossos mapas, rotas e vontade de irmos aonde, como e quando quisermos. Nosso mapa é a Palavra de Jesus, nossa rota são os desígnios de Deus.

Nós devemos nos DIRIGIR na vontade de Deus, sendo maleáveis, humildes e ousados na direção que Ele quer que sigamos. Nós nos DIRIGIMOS em Jesus, confiantes de que estamos indo com Ele para o Céu, sabendo que na terra Jesus não nos dá, nunca nos dará um endereço terreno, porque o endereço é o Céu, e só Ele é o Caminho para o Pai. No caminho que é Jesus, nós DIRIGIMOS nossos passos, nossos pensamentos e comportamento para permanecermos Nele, lembrando que nos DIRIGIR em Jesus não significa DIRIGIR a Jesus.

Quem não DIRIGE sua vida em obediência e à luz da Palavra de Jesus, não renunciou sua vontade e, assim, inconscientemente quer impor sua vontade a Jesus em algumas coisas que deseja na vida. DIRIGIMOS nossos passos no caminho certo, quando nos deixamos mover confiantes e obedientes ao Espírito Santo.


OS QUE CLAUDICAM TORNEM AO BOM CAMINHO E NÃO SE DESVIEM

“Dirigi os vossos passos pelo caminho certo. Os que claudicam tornem ao bom caminho e não se desviem”

(Hb 12, 13)

CLAUDICAR não é abandonar o CAMINHO que é Jesus. CLAUDICAR é andar no CAMINHO que é Jesus com quebra de compromisso feito com Ele; é ter interrompido o crescimento espiritual e não ter se arrependido. Por não ter se arrependido, continua no CAMINHO, mas CAMINHANDO com negligência na vida espiritual.

Às vezes, pior do que negligência, CAMINHA com reclamações, murmurações pelas situações da vida, impaciência e nervosismo com as pessoas. CLAUDICAR espiritualmente é, estando no CAMINHO de Jesus, DIRIGIR os PASSOS pelo mau CAMINHO, com esquecimento ou desprezo pela perfeição, pela santidade de Deus e pelo próprio dever de buscar sua santidade pessoal. Quem CLAUDICA no CAMINHO da vida que Jesus quer que vivamos, está desviado da verdade, está com muitas falhas, imperfeições, muitas coisas erradas. Deve se arrepender, voltar ao bom CAMINHO e não mais se DESVIAR.


TORNEM AO BOM CAMINHO

São Paulo tem total entendimento do perigosíssimo ato de pessoas se DESVIAREM do bom CAMINHO

Todos nós sabemos que TORNAR é voltar. Mas São Paulo não se refere somente ao sinônimo detectado pela inteligência intelectual. Ele se refere também ao significado que é melhor e profundamente abordado pela inteligência espiritual, que entende que o católico que se afastou do CAMINHO que é Jesus deve urgentemente recuperar os sentidos, TORNAR a si, TORNAR à razão, TORNAR ao bom senso, recuperar o juízo, sair da larga avenida da perdição, reconhecendo que colocou sua alma em perigo mortal ao se afastar do CAMINHO. O intelecto é bom e necessário, mas ele é como um computador que reconhece sinônimos; é o espiritual que conhece a vida.

A inteligência intelectual se torna um corpo sem alma quando recusa sua alma, que é a inteligência espiritual. O cérebro é um órgão que age cerebralmente, conforme a ignorância ou o conhecimento que recebe; conforme a tranquilidade ou traumas que tenha. Um cérebro não é um computador. Computador não tem alma. Quem tem alma é o ser humano, que pode viver como um frio computador, desprezando a consciência interior, desfavorecendo a aptidão da sensibilidade, desfavorecendo a capacidade para receber impressões, sensações, pressentimentos, desprezando a faculdade de compreensão, amor, gosto e desgosto, percepção por intuição.

A inteligência espiritual é uma graça de Deus, mas se ela desprezar a inteligência intelectual, pensará, falará e agirá com incapacidade intelectual, sempre se baseando em pressupostos; quer dizer, a pessoa supõe, imagina as coisas antecipadamente, em desprezo da inteligência intelectual.

Estas pessoas, de seu auto-iluminismo, desprezam a razão. Elas têm certeza de que Deus lhes fala diretamente; que por isso estão certas e não precisam escutar ninguém, nem pôr em dúvida seus pensamentos; pois, segundo sentem, seria pecar contra a fé em Deus.

É esse tipo de personalidade que sai da Igreja que Jesus fundou em Pedro para fundar alguma seita; ou permanece na Igreja, mas seguindo sua própria cabeça, obedecendo a alguns dos mandamentos de Deus, mas vivendo sua própria religião dentro da Religião.


NÃO SE DESVIEM

“Dirigi os vossos passos pelo caminho certo. Os que claudicam tornem ao bom caminho e não se desviem”

(Hb 12, 13)

Vamos transformar a afirmação “não se desviem” na pergunta: não se desviem de quê?

Por que São Paulo aconselha firmemente aos que CLAUDICAM que tornem ao bom CAMINHO e não se DESVIEM mais?

São Paulo sabe o que está falando, porque tem total entendimento do perigosíssimo ato de pessoas se DESVIAREM do bom CAMINHO. O Apóstolo está querendo que os CLAUDICANTES entendam que não se DESVIARAM de algo simples, não apenas deixaram de cumprir seus deveres cristãos, não apenas falharam porque o ser humano falha, muitos católicos podem deixar de cumprir suas obrigações por momentos de fraqueza, por ceder à tentação, mas sem se DESVIAR do CAMINHO, porque se arrependem, pedem perdão a Deus e vão em frente.

Esse santo servo de Deus está falando de algo:

  • Muito grave;
  • terrivelmente assustador;
  • muito mau;
  • mortal.

São Paulo está dizendo que os CLAUDICANTES DESVIARAM sua alma de Deus, que os criou, e de Jesus, que morreu para salvá-los. Está dizendo que esse DESVIO é funestíssimo; que voltem ao bom CAMINHO, que é Jesus, e não se DESVIEM mais; que voltem confiantes de que Deus misericordioso os perdoará e os acolherá em Seus braços.


VOLTAR AO BOM CAMINHO

Para voltar ao bom CAMINHO é necessário DIRIGIR os PASSOS rumo a Deus. Para DIRIGIR os PASSOS é necessário usar a inteligência espiritual, iluminando a inteligência intelectual. O espiritual deve mostrar ao intelectual a gravidade de ter se afastado de Deus, o Criador; de Jesus, o Salvador; do Espírito Santo, o Santificador.

O intelecto tem a capacidade de compreender humanamente o que significa um DESVIO, mas ele precisa do espiritual para, na humildade, entender que o DESVIO foi DESVIO de Deus, foi mudança de direção de vida, da vida que estava em Deus. Estava indo rumo à salvação eterna no Céu, e se desviou para a vida no mundo, rumo à perdição eterna.

Mente, alma e coração precisam estar compenetrados no entendimento de que os DESVIADOS do CAMINHO são presas fáceis para o pai da mentira, que oferece muitas coisas para que os DESVIADOS do bom CAMINHO não queiram voltar a ele.

Os que querem voltar ao bem e os que já voltaram devem fortalecer a compreensão de que o “DESVIAR-SE de Deus” é DESVIAR-SE da vida, da felicidade, da salvação. Aquele que se desvia de Deus não está somente se aproximando da morte, da infelicidade e da condenação, mas está começando a ser destruído e engolido aos poucos por Satanás. Satanás queria devorar de uma vez e rápido, mas não pode, porque enquanto a pessoa estiver viva, Deus sempre  dará a ela chances e chances para se arrepender, pedir perdão e receber. Só se a pessoa morrer fora do bom CAMINHO é que o Diabo poderá levá-la para o inferno.

O QUE CAUSOU O DESVIO DO BOM CAMINHO?

Quem está DESVIADO do bom CAMINHO, sentindo-se sem força para voltar ao bem, deve rezar muitos Rosários, pedindo a intercessão de Nossa Senhora para que lhe consiga a graça do verdadeiro arrependimento. O verdadeiro arrependimento não é um sentimento de se sentir arrependido.

O arrependimento pode provocar sentimento, choro, forte emoção, mas o arrependimento verdadeiro não está nessa emoção, porque ninguém fica o tempo todo emocionado, sentimentos vão e vem. O arrependimento está na graça de Deus que repousa na vontade e nas duas inteligências, a espiritual e a intelectual.

A pessoa que não sente arrependimento, mas quer ter o arrependimento em si, comece a pensar sobre o amor, poder, bondade e misericórdia de Deus; sobre seus erros e pecados, mas sem culpar outras pessoas. Pense sobre o Céu, o inferno, a salvação, a condenação, o que quer para si por toda a eternidade. Ore, leia a Bíblia todos os dias, leia a vida de santos, jejue às quartas e sextas-feiras, persevere nesse comportamento, leve o tempo que levar, até que Deus lhe dê a graça do arrependimento que está querendo.

Deus é amor. Sendo amor, Ele quer amor, mas quer amor verdadeiro. Por isso, Ele prova a todos os que dizem amá-lO. Quem O amar de verdade, passará em todas as provações; quem não O amar, será reprovado, porque o amor (e só o amor) é capaz de tudo suportar. Para o amor, o maior peso é real, mas é leve, a dor é real, mas é anestesiada, às vezes totalmente anulada pelo amor.

O católico que ama a Deus compreende que é por meio de muitos sofrimentos e não por meio de muita prosperidade que se entra no Reino de Deus. Foi pelo sofrimento que Jesus nos salvou. É suportando com fé e resignação o sofrimento do qual não podemos fugir que nos assemelhamos a Jesus. 

Os Apóstolos “confirmavam as almas dos discípulos e os exortavam a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações”

(At 14, 22)

QUEM QUER SE DESVIAR DO BOM CAMINHO QUE É JESUS?

Ninguém de fé quer. Ninguém que ame a Deus quer. O não querer se desviar do bom CAMINHO, que é Jesus, é o início do querer permanecer em Jesus. Por que queremos permanecer em Jesus, a graça de Deus insufla a inteligência espiritual para ela conduzir a inteligência intelectual nos pensamentos espirituais da fé. O intelecto se aprofunda no pensamento de que é necessário fortalecer o pensamento da desistência de tudo o que queremos para assumirmos o tudo que Deus quer com desejo, intenção, planejamento e ação.

O entendimento reconhece que viver tudo o que Deus quer de nós não é fácil e se torna impossível para quem não está disposto a lutar pela sua salvação, pois sair de nós mesmos, é sair de um buraco escuro, profundo, para subirmos ao Céu.

Como subiremos ao Céu? 
Fazendo a vontade de Deus.


A MONTANHA DE LUZ DA VONTADE DE DEUS

É FÁCIL OU DIFÍCIL FAZER A VONTADE DE DEUS?
Façamos uma comparação, exemplificando a vontade de Deus com uma montanha. A exemplificação que faremos tem o objetivo de nos fazer meditar sobre a vontade de Deus e o que nos impede, ou nos atrapalha, ou nos atormenta, ou nos consola em nossa busca de fazer a vontade de Deus.

A montanha da vontade de Deus é uma altíssima montanha de luz. Começamos a subir a santa montanha quando, unindo a inteligência espiritual e a intelectual, queremos, pensamos, planejamos e decidimos orar, pedindo ajuda a Deus para renunciar nossas vontades pessoais e nos manter fiéis na luta contra nós mesmos, para fazer somente a vontade Dele.

A partir dessa decisão bem pensada e orada, começamos a sair do buraco escuro de nós mesmos para subirmos a montanha de luz da vontade de Deus. Não é uma subida fácil. A montanha é muito íngreme. Nela não há nenhum perigo a nós, só há cuidados, proteção e bênçãos, mas temos muitos sofrimentos para enfrentar e guerras a travar contra nós mesmos na subida da montanha, pois ela é uma vontade que não aceita outra vontade, e nós estamos subindo nela com muito de nossas vontades.

Para subir, temos de tirar os pesos que carregamos. Caso contrário, esses pesos nos derrubarão, por nos causarem cansaço, fraqueza, moleza, cegueira, falsidade e covardia. Esses pesos são nossos interesses e vontades pessoais. Quanto mais interesses e vontades pessoais temos, mais eles pesam sobre nós quando começamos a subir a montanha de luz da vontade de Deus. Quanto mais subimos sem nos livrar dos pesos, mais os pesos nos puxam para baixo.

Nossos interesses pessoais estão sobrecarregados dos pesos das coisas que gostamos no mundo. Os pesos de nossas imperfeições só servem às trevas, tentando-nos para descermos da montanha.

Eles são saudosistas, querem que lembremos, tenhamos saudades das coisas que gostávamos no mundo dos homens.

Eles São futuristas, querem que desejemos ter coisas que os mundanos têm e nós não tínhamos conseguido ter.

Essas tentações de coisas que gostamos e admiramos em nós mesmos, das pequenas e grandes vaidades e das glórias, sucessos, vitórias que queremos ter no mundo são um peso muito grande. Ou nos livramos deles, ou não conseguiremos subir a montanha.

Os fracassos e a dificuldade de subir por causa desses pesos nos fazem compreender que temos de nos livrar deles. Começamos, então, a resistir com maior empenho contra nossas vontades pessoais, que são um buraco escuro com forte gravidade nos puxando para cair, para voltarmos a ser o que éramos. Mas nós já nos renunciamos e nos mantemos na luta contra as fraquezas e pecados que estão nos cercando, vindo de dentro de nós mesmos.

Lutamos e lutamos. Essa resistência vai tirando esses pesos de dentro de nós. Percebemos que a subida continua difícil, mas não estamos mais escorregando nos pedregulhos de nossas vontades. Assim, continuamos a subir; porém, ainda temos muitas dificuldades, porque ainda temos muitos pesos nos sobrecarregando.

Descobrimos que, além dos pesos que detectamos dentro de nós, há outros escondidos, os quais ainda não tínhamos notado, nem sabemos ainda o que são, mas sabemos o que não sabíamos: eles existem e estão escondidos dentro de nós. Nós, então, os renunciamos, como renunciamos os que conhecemos. Muitos se desprendem de nós, mas outros continuam pregados a nós, sugando-nos mais do que 60 carrapatos grandes, de 0,25 mm de diâmetro, em cachorro da raça chihuahua, de 15 centímetros de tamanho.

Apesar das dificuldades, das quedas seguidas de vergonha de Deus, arrependimento e soerguimento, continuamos subindo a montanha da vontade de Deus. Não desistimos! Nossa sujeira de pecados, dos quais ainda estamos nos livrando, libertando-nos, não suja a montanha de luz; e assim vamos subindo, ora mais rápido, ora mais devagar, mas não desistimos. À proporção que subimos, vemos que nas partes mais difíceis e nas impossíveis de subirmos, o arrependimento nos dá duas asas com as quais, sem saber como, voamos para a etapa seguinte. Nestes voos, sentimo-nos descansados e com muito prazer em estarmos subindo a montanha de luz da vontade de Deus. Experimentamos uma felicidade que não existe na terra, uma felicidade que não há pessoa que possa dar, nem dinheiro que possa comprar.

Depois do voo, vemo-nos com os pés no chão da montanha. As asas sumiram, só voltarão depois de superarmos essa etapa. A montanha parece não ter fim, a escalada é muito difícil, mas temos o pensamento firme de não voltar atrás, lembramos das Palavras de Jesus:

“Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus”

(Lc 9, 62)

Vamos refletindo que, apesar das muitas dificuldades, o fim dessa montanha nos dará a contemplação de Deus, nós O veremos Face a face, estaremos com Ele por toda a eternidade. Concluiremos que é melhor enfrentar essas dificuldades na montanha da vontade de Deus que está no tempo, do que, abandonando-a, descermos ao buraco escuro de nossas vontades, cujo fim é o começo do abismo do inferno.

Quanto mais fixamos nossa mente, alma e coração em Deus, em Sua vontade, em Seus desígnios, mais pesos se desvencilham de nós; mais rápido subimos; mais entendemos que a vida humana passa rápido; mais entendemos e nos decidimos pela eternidade com Deus no Céu, começando na terra.

Compreendemos e sentimos que, quanto mais vamos subindo essa montanha, mais fortes vamos ficando no amor a Deus. Quanto mais O amamos, mais queremos a Ele somente. Tudo o mais é dispensável, só Deus importa. Todo medo e preocupação vão deixando de ser peso dentro de nós. Sentimo-nos mais leves para continuar a subida.

A subida não é mais uma necessidade somente espiritual, torna-se uma necessidade física e mental também. Precisamos subir, temos necessidade de subir, não podemos descer. Não olhamos para baixo, pensando em desistir; só queremos subir a montanha de luz da vontade de Deus. Sentimos que subir descansa, parar de subir cansa.

Ainda temos pesos para nos desvencilharmos. É necessário subir até o fim para nos livrarmos de todos eles. A montanha continua alta, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41). A vigilância e a oração devem ser redobradas, pois há quem caiu da montanha no começo da subida, quem caiu no meio, e quem caiu perto do fim, faltando um passo para entrar no Céu.

A boa vontade de perseverar deve ser mais forte e consciente agora do que no início. Não estamos sozinhos. O Espírito Santo não nos deixa cair e continua nos ajudando. Nos momentos mais difíceis, leva para o alto os que se mantêm no espírito de boa vontade de subir a montanha de Deus. 

Subir a montanha requer oração, jejum, silêncio, esforços, sacrifícios, enfrentamento de si mesmo, muita fidelidade, noção da realidade, obediência e amor a Deus. Deus se sente muito amado pelos que perseveram nestes dons somente por causa Dele.

Se perseverarem, na próxima etapa, o prêmio dado por Deus é a paz, a firmeza de se regozijar em sofrer por amor a Deus. 

A estes perseverantes, Deus dá a capacidade de tolerar, suportar com poderosa fé e paciência, poucas ou muitas, pequenas ou grandes provações. Grande é a alegria que sentem quando pensam na recompensa que receberão de Deus no Céu, depois da morte. Quem desistiu ou nunca quis subir a montanha de luz da vontade de Deus, nem consegue imaginar o que é a felicidade de ter recebido estes dons.

Os montanhistas, avançam montanha acima apesar dos pesos que carregam; pesos dos quais querem se livrar, mas não se livram com facilidade, porque enquanto é fácil se livrar de uns, é difícil se livrar de outros. Apesar de terem de lutar muitas e muitas vezes contra o mesmo inimigo de seus vícios, lutando para se libertar deles, numa luta que parece não ter fim; vão olhando mais para a misericórdia de Deus do que para seus defeitos, pois querem ir cada vez mais para cima, subir mais alto na montanha da vontade de Deus. 

Estes montanhistas sofredores terão ascensão à glória da elevação de Jesus Cristo ao Céu, com a subsequente perpetuada festa de recepção dada pelo Pai, pelos Santos e Anjos de Deus na eternidade divina.

HÁ MONTANHISTAS QUE OLHAM PARA TRÁS, PROCURANDO FORÇA PARA CONTINUAR SUBINDO

Os montanhistas podem estar cansados, mas não desanimados; exaustos, mas não abatidos nem acovardados; sentindo-se fracos, mas sem se entregar à fraqueza. Antes, por causa da fraqueza, procuram a força em Deus. Sem ver a Deus, porém, com os olhos da carne e do espírito, eles O veem com as duas inteligências: a espiritual e a intelectual. Olham, então, para trás, para o mundo abaixo, para relembrar o que renunciaram quando resolveram subir a montanha de luz da vontade de Deus.

Olhando para o mundo abaixo, veem com maior realidade do que quando viam olhando do mesmo plano. Veem que o mundo é um lixão de miséria, que muitos pensam valer a pena dar a vida para ganhar nele o que ele oferece de sua ciência, riqueza, fama e poder passageiro para quem o ama. Do alto de sua subida, onde parados, descansando um pouco, os montanhistas aproveitam para se fortalecer, vendo o fim rápido das coisas mundanas.

Alegram-se em ter renunciado não só o que o mundo oferece, mas  ao próprio mundo transitório por causa do Deus eterno. Ao verem o começo, meio e fim do mundo, percebem que não podem ver o começo de Deus. A palavra PRINCÍPIO, surge no coração e mente. 

Lentamente pensam:
Deus não TEVE PRINCÍPIO.
Deus não TEM princípio.
Deus não nasceu.
Deus não teve origem.
Deus não teve início.
Deus não tem base.

Pensando sobre o que lhes faz profundo significado, neste momento de descanso no alto da montanha, em local não muito confortável, aprofundam sua reflexão sentindo grande prazer; prazer que acelera o coração, deixando seus olhos fixos no infinito, enquanto sem nenhuma pressa repensam o que pensaram, sentindo literalmente o SABOR da verdade revelada pela ciência de Deus.

Deus não teve princípio. O que existe teve princípio Nele.
Deus não tem princípio. O que existe tem princípio Nele.
Deus não nasceu. Mas Ele, e somente Ele, é o Criador de todas as coisas.
Deus não teve origem. Ele é a origem do que existe.
Deus não teve início. Ele é o início do que não existia.
Deus não tem base, o que Ele criou é que tem base Nele.

Quanto mais pensam na Pessoa e na grandeza de Deus, mais os montanhistas veem o amor de Deus enviando seu santo e puro Filho para o mundo cheio de imundície. Eles veem que o Filho de Deus é a inteligência e sabedoria que se dá aos homens, veem que sem Ele não há inteligência e sabedoria em homem algum.

Veem que a inteligência e sabedoria é dada como se fosse insignificante por fora, para que somente os humildes saibam ver sua riqueza por dentro, riqueza que pode ser vista pela humildade, mas que só é conquistada com o esforço da subida na montanha da vontade de Deus depois de muitos anos de cansaços e sofrimentos para uns e menos anos e pouco sofrimento e cansaços para outros, pois tudo depende, primeiro de Deus, segundo do grau de amor que o montanhista tem por Deus. Veem que o mesmo tempo para uns é longo, para outros é curto, que a mesma dor, para uns, dói muito, em outros, dói menos ou não dói, pois, não tudo por causa da vontade Divina, mas muita coisa depende do grau do amor do montanhista por Deus.

Veem que o Espírito Santo os convida a descansar em Deus pensando em Deus, em Seu poder e grandeza, pensando nos assuntos de Deus, compreendem que esse convite, se aceito, passa a ser dever e responsabilidade. Se os montanhistas passam a ser responsáveis em manter o coração, mente e alma, nos assuntos e vontade de Deus, eles serão grandemente abençoados, recompensados e consolados com as riquezas imperecíveis de Deus pelo próprio Deus.

Em seus descansos, os montanhistas pesam na balança de seus discernimentos, o estado lastimável da miséria das coisas do mundo em um prato e no outro o estado glorioso das coisas de Deus que são vistas em promessas, o prato da balança com as coisas do mundo fica sem peso diante do outro prato com as coisas de Deus.

A CONSEQUÊNCIA DA PERSEVERANÇA MESMO ANTES DO FIM DA SUBIDA

Concluem que o descanso terminou, a montanha tem de ser galgada, o objetivo é treinar corpo, mente e alma, nos caminhos e obstáculos do percurso montanhoso. O treino é acostumar corpo, mente e alma a subir a montanha se livrando dos pesos, até que para o corpo, mente e alma o exercício se transforme em santo hábito, até que corpo, mente e alma, desejem ardentemente somente a vontade de Deus, e possa dizer como o rei Davi:

“Consome-se minha alma no desejo perpétuo de observar vossos decretos”

(Sl 118, 20)

Subir até o fim a montanha de luz da vontade de Deus é tudo o que querem os montanhistas dessa santa montanha. Por que querem, vão vendo, por experiência própria, que a perseverança tem consequências, pois chegaram às alturas mais difíceis de serem subidas da montanha, ao olharem onde chegaram, veem que subir daqui para frente é um desafio impossível.

Impossível no sentido de impossível mesmo, não é no sentido de dificílimo, é no sentido de impraticável de se arriscar subir por ser impossível.

Isto porque há precipícios, não há onde se segurar, o chão é escorregadio, o vento é forte, não se vê por onde dá para subir; de dia o calor é grande, o sol encandeia; a escuridão da noite é muito densa, o frio é glacial.

Toda essa dificuldade só existe na montanha, por causa dos pesos que o montanhista ainda carrega.

A montanha de luz da vontade de Deus não aceita nela outras vontades, não aceita a menor escuridão provocada pelos pesos em montanhista que quer ascender a Deus subindo por ela. Quem quer subir por ela a Deus, deve se empenhar para se livrar dos pesos causadores de trevas no coração, alma e mente do montanhista.

A decisão e o esforço em se livrar dos pesos, apesar da demora em se livrar deles, já faz do montanhista uma luz, por receber a luz da montanha, mas ele não é ainda uma luz pura, ele sabe disso. Por saber, está sempre se examinando, obedecendo a Palavra de Deus: “Vê, pois, que a luz que está em ti não sejam trevas. Se, pois, todo o teu corpo estiver na luz, sem mistura de trevas, ele será inteiramente iluminado, como sob a brilhante luz de uma lâmpada”. (Lc 11, 35-36)

Os montanhistas param diante de tantas dificuldades, ficam olhando, procurando lugar por onde continuar subindo. Ninguém aqui pensa em desistir. Os dias se passam, nenhum montanhista consegue encontrar caminho para continuar subindo.

O vento em força, a ventania começa a querer derrubá-los. A chuva cai e se transforma em tempestade. Molhados, cansados, escondem-se como podem sob alguma pedra, sentam, nada podem fazer contra as intempéries que estão acontecendo na montanha por causa dos pesos.

Sem desistirem deles mesmos por causa de suas fraquezas físicas, mentais e espirituais, oram cada qual dizendo em seu coração, depois, sem desespero, com tranquilidade, repetem baixinho:

“Tende piedade de mim, ó Deus, tende piedade de mim, porque a minha alma em vós procura o seu refúgio. Abrigo-me à sombra de vossas asas, até que a tormenta passe”

(Sl 56, 2)

Vinde libertar-me de meus pecados. Vinde livrar-me desses pesos. Eu espero em Vós, Senhor, por Vossa ajuda, pois quero continuar subindo, mas me deparei com a parte da subida que é insuperável por seres humanos. Sem Vós não conseguirei. Vinde a mim, Senhor. Depois que oram, dormem para descansar e continuar procurando ver como subirão se livrando de seus pesos quando acordarem.

Pela madrugada a tempestade provocada pelos pesos das imperfeições diante da santa e perfeita montanha de luz da vontade de Deus, ainda não acabou, mas dentro da tempestade cada um escuta palavras de um Anjo do Céu vindo a mando de Deus. Ele não fala para todos ao mesmo tempo, mas para cada montanhista em particular.

Escuta, tu que és perseverante em subir a montanha que forma os santos do Altíssimo, Ele, Deus, Senhor e Dominador… “Te cobrirá com suas plumas, sob suas asas encontrarás refúgio. Sua fidelidade te será um escudo de proteção” (Sl 90, 4). “Não sabes tu que Ele cavalgou sobre um querubim e alçou voo planando nas asas do vento?” (Sl 17, 11).

Fica sabendo que o Poderoso Senhor recompensa os perseverantes nos momentos mais difíceis ou impossíveis de suas vidas, colocando-lhes com Ele sobre o querubim para que, com Ele voem, planando nas asas do vento.

Tu, que perseveraste até aqui. Fui enviado para te dar a cruz da perseverança. Ainda sofrerás a espera de um dia, mas no segundo dia, receberás o prêmio dado aos perseverantes, de modo que nessa parte impossível de ser subida por ti, Deus enviará seu querubim. Ele te levará em seu voo, até a próxima etapa sem que tenhas de fazer nenhum esforço, contemplarás a bondade de Deus e tua alma se extasiará de gratidão.

Quando o querubim de Deus te colocar no chão da nova etapa, o Espírito Santo te dará a graça de ver muitas possibilidades e facilidades. Quando as subidas se tornarem impossíveis de serem subidas, teus olhos verão mais e melhor do que agora. Não só verás as possibilidades, terás junto a facilidade, a capacidade de enfrentar os próximos desafios da montanha de luz da vontade de Deus.

Por que serás assim recompensado?

Porque perseveraste. Porque continuas a perseverar, subindo a montanha de Deus. Se tivesses desistido em algum lugar da montanha, tua nobre decisão teria caído na escuridão. Continua avançando, montanhista da montanha de Deus! Continua subindo, usando tua inteligência espiritual somada à intelectual, que é uma graça de Deus. Ora, jejua! A montanha exigirá de ti trabalhos físicos pela frente: renúncia mais e mais de ti mesmo, desprezo do mundo, alguns cansaços, dores e consolação eterna.

Até semana que vem, se assim Deus quiser.

Deus, que é bom, misericordioso e poderoso, abençoe-nos a todos.
J.V.

9 comentários

  1. “Continua subindo, oh perseverante…”
    Como Deus me falou e está afazer em minha alma com esta formação…Ela foi resposta de Deus às minhas orações. Bendigo o nome do Senhor pela Vocação de Jesus…por esta Santa inspiração que tão bem explanou nossa peregrinação Vocacional! Que com a graça de Deus continuemos a subir esta Santa MONTANHA…No Topo Dela veremos a Face do Deus Altíssimo…nosso TUDO!!!! Não desistamos! O CÉU é logo! ” Já, já estaremos com Ele” (J.V.).

  2. Que leitura rica! Louvado seja Deus!
    Sinto – me impulsionada a subir + e +, com determinação e coragem esta santa montanha que me levará ao encontro definitivo com Deus🙏🙏

  3. Que grande graça que por misericórdia e bondade de Deus possamos fazer a vontade de Deus e não a nossa nem a vontade do inimigo de Deus.

  4. “Apesar das muitas dificuldades, o fim dessa montanha nos dará a contemplação de Deus, nós O veremos Face a face, estaremos com Ele por toda eternidade.” Amém, assim seja Senhor meu Deus! Faça-se em nós a tua Santa e Divina Vontade.

  5. Que Deus conceda a graça de fazendo a sua santa vontade nos ajude a subir essa motanha e ir a ate o fim desistir jamais . Que Deus seja louvado por se revalar a nos atraves dessas ungindas e belissimas formaçoes.

  6. Que formação maravilhosa , rica da graça de Deus ,um grande alimento para nossas almas ,alimento forte que restaura nossa confiança ,amor e desejo de perseverar .Obg Senhor ,obg Vocação de Jesus por tanto zelo com nossas almas🙏🙏🙏

    1. Que leitura rica! Como Deus é bom! Sinto-me + e + impulsionada a subir com coragem e determinação a montanha de DEUS que me levará e levará toda minha família sanguínea e vocacional ao céu🙏

      Obrigada Vocação de Jesus!

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