VOCAÇÃO DE JESUS!
Deus seja amado com todas as forças de nosso coração e de nossa alma.

29/03/2021

Meditando com Mt 9, 1-8

“Eis que lhe apresentaram um paralítico estendido numa padiola. Jesus, vendo a fé daquela gente, disse ao paralítico: Meu filho, coragem! Teus pecados te são perdoados”.

(Mt 9, 2)

Homens e mulheres viram e ouviram Jesus.
Homens e mulheres viram Deus, que se fez homem.
Homens e mulheres ouviram o Verbo que se fez carne falar.
Homens e mulheres viram e ouviram o Deus que se fez homem; o Deus vivo, que desceu do Céu, estava se revelando ao mundo.
Muitos creram Nele. 
Todos os que creram de verdade receberam de Jesus perdão dos pecados, curas, graças e todas as espécies de bênçãos. Maravilhas do amor de Deus aconteciam. 

Jesus olha uma multidão de pessoas que trazem a Ele um homem fisicamente doente. Jesus olha a fé dessas pessoas. Por causa da fé daquelas pessoas, Jesus decide atender o seu desejo: elas queriam que Jesus curasse da paralisia aquele homem que conheciam.

Antes de fazer o milagre no corpo físico, a primeira coisa que Jesus fez foi um milagre maior: Jesus perdoou os pecados do homem trazido pela multidão. Com isso, podemos crer que pessoas eram, são e serão perdoadas antes de pedirem perdão. 

É bom mastigar mais um pouco essa verdade da misericórdia de Deus…

Quando trouxeram o paralítico a Jesus, antes de o paralítico falar alguma coisa, Jesus lhe disse que os seus pecados estavam perdoados. Aquele homem recebeu de Jesus o perdão, não apenas de parte de sua dívida com Deus; Jesus, o Filho de Deus, estava perdoando toda a sua dívida, sem que ele tivesse pedido perdão. Jesus nem lhe deu tempo para pedir ou para falar alguma coisa, Jesus foi logo perdoando.

Seus amigos o traziam deitado na padiola para ele ser curado. Eles queriam que seu amigo tivesse saúde. O paralítico queria ser curado, queria andar, viver uma vida normal; seus olhos se mexiam na direção de Jesus. Ele viu Jesus olhando para ele, enquanto era levado para ser curado. Ele acreditava que o milagre iria acontecer, pois tinha ouvido que muitas pessoas tinham sido curadas por Jesus; tinha escutado comentários de que Jesus era o Filho de Deus, o Messias. Toda a EXPECTATIVA DE SUA FÉ estava em Jesus.

Seu corpo estava paralítico, mas não sua esperança em Deus. O paralítico tinha fé. Ele acreditava que tudo era possível a Deus. Ele não podia ir andando, não podia ir sozinho até Jesus, um problema o impedia. Seu problema não era espiritual, era a paralisia física. Ele não podia resolver esse problema, ninguém na terra podia, mas ele aceitou a ajuda de seus amigos para ser levado ao homem dos milagres para Ele resolver seu problema.

Quando chegou perto de Jesus, os olhos de Jesus entraram em sua alma. A vida ao seu redor continuou normal, mas entre ele e Jesus houve um grande silêncio, como se não tivesse ninguém ali, a não ser Jesus e ele; foi como se o tempo tivesse parado. Tudo aconteceu num rapidíssimo milésimo de um instante, que foi quebrado quando ele ouviu Jesus dizer que seus pecados estavam perdoados.


A GRAÇA MAIS IMPORTANTE QUE O MILAGRE VISTO POR TODOS

Antes de receber o perdão de seus pecados, o homem se sente cheio de mais fé, mais confiança, pois Jesus lhe dá coragem. Uma coragem que lhe prepara as duas seguintes graças: a mais importante, que é o perdão de todos os seus pecados; e a outra graça, que é a cura de sua paralisia física.

LAPSO NO TEMPO

Algo acontece. O olhar de Jesus desvia-se do paralítico, que espera ser curado e sair da prisão da cama; e, para sua surpresa, Jesus, que lhe dava toda a atenção, deixa de falar com ele, e sem ainda tê-lo curado da paralisia, Jesus olha e fala com alguns homens que se dedicavam ao estudo para a explicação da Torá, a Lei de Moisés, o Antigo Testamento. Eles eram conhecidos como escribas.

Jesus tinha deixado de olhar o paralítico por um momento, pois penetrava nos pensamentos dos escribas. Estes homens se encheram de orgulho, estudando o Livro da Lei que convida à humildade, que dá exemplos da santidade dos homens de Deus descritos na leitura dele.

Perdidos no orgulho, porque ser escriba significava para eles uma posição importante na sociedade, eles sentiam o poder de influenciar a religião judaica, de ter a admiração e respeito do povo. Destruídos interiormente pela vaidade, estavam totalmente incapazes de ser pessoas de coração humilde para receber o Deus que desceu de Sua grandeza para ser pequenino entre os homens. E assim, eles escutavam Jesus, não buscando a verdade, mas avaliando o que Jesus dizia. Eles julgavam Jesus segundo seus conhecimentos humanos embebidos de arrogância.

Quando eles escutaram Jesus dizer ao paralítico que os seus pecados estavam perdoados, cheios de julgamento e avaliação errada, começaram a murmurar entre si, dizendo que Jesus estava blasfemando, pois, segundo a Lei, só Deus pode perdoar pecados.

Querendo o Salvador salvá-los também, dirige-lhes a Palavra Divina, a Palavra da Verdade, e lhes pergunta por que andam com maus pensamentos no coração. Ao fazer essa pergunta, Jesus envia graças aos corações e às almas daqueles homens, para que  queiram renunciar ao orgulho e, assim, poder crer que Ele, Jesus, é o enviado de Deus. As graças de Deus entram por eles, procurando lugar para morar, mas não há espaço para elas. Contudo, continuam procurando, nem que seja o menor lugar.

Jesus, vendo que as graças não encontram lugar dentro deles, resolve ajudá-las. Com a ajuda do paralítico, Jesus tentará criar esse lugar, se eles permitirem. Tudo o que as graças precisam para permanecer neles é um pouco de humildade, um pouco que seja. Se encontrarem o menor espaço, entrarão. Com o tempo, a humildade crescerá; mas agora, só precisam de um pouquinho de humildade. Jesus compreende a fraqueza humana. Deus é paciente.

Jesus decide fazer o milagre na frente deles, com o desejo de que eles, vendo o milagre, creiam, e pela fé, a humildade tenha espaço dentro deles, para que as graças que lhes forem dadas não se afastem. Jesus, então, olha-os profundamente, não com olhar desafiante, mas com olhar de Deus amoroso, que a todos quer salvar, pois veio salvar a todos e não quer que ninguém se perca. Olhando-os, pergunta:

“Por que pensais mal em vossos corações? Que é mais fácil dizer: Teus pecados te são perdoados, ou: Levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, o poder de perdoar os pecados: Levanta-te, toma a tua maca e volta para tua casa.”

(Mc 28, 11)

E assim aconteceu. Após a ordem de Jesus, o paralítico levantou, pegou sua maca e foi andando para casa. As pessoas que presenciaram o milagre, encheram-se de temor de Deus e O glorificaram por ter dado tal poder aos homens. Elas estavam pasmas POR DEUS TER DADO AOS HOMENS O PODER DE PERDOAR PECADOS e fazer grandes milagres. Mas o que aconteceu com os escribas?

Os escribas receberam em suas almas e corações, diretamente de Jesus, todas as graças necessárias para iniciar suas conversões. Deus, como sempre, nunca se contenta em dar só o necessário a nós, seus filhos; quis dar mais graças a esses escribas. 

Eles tiveram a graça de ter a atenção do próprio Salvador voltada para eles; de Jesus falar com eles e, na frente deles, realizar o milagre. Esse milagre, de fazer o paralítico andar, aconteceu mais para que os orgulhosos escribas fossem libertos das trevas em que Satanás os prendia, do que mesmo para curar o próprio paralítico; pois este tinha fé e humildade para, reconhecendo que aquele homem não era um homem igual aos outros, ser curado de sua paralisia.

Infelizmente, no coração destes homens:

– Satanás venceu Jesus.
– As trevas eliminaram a luz que é Jesus.
– As prisões do inferno prevaleceram ante a liberdade do Céu.
– A ignorância prevaleceu ante a sabedoria.
– A fraqueza venceu a força.
– A estupidez derrotou a sensatez.
– O orgulho venceu a humildade.
– A incredulidade matou a fé.
– A hipocrisia assassinou a integridade.
– A corrupção exterminou a moralidade interior.
– Os homens, unidos aos demônios, desprezaram e odiaram a Deus, e assim a morte matou a vida.

De livre e espontânea vontade, os presunçosos escribas rejeitaram todas as graças, dadas por Jesus, que poderiam lhes salvar. Eles não pararam para pensar sobre:
– A quem viam.
– Quem falava com eles.
– O que o povo falava de Jesus.
– O milagre que acabaram de ver.

Poderiam fazer essa reflexão, ajudados pelas graças que Jesus tinha lhes dado; graças que estavam sobre eles naquele momento. Porém, ALGO LHES IMPEDIA. Esse “algo” eram seus interesses pessoais.

Eles tinham muito interesse nas coisas dos homens do mundo. Por esse motivo, não estavam dispostos a renunciar seu modo de pensar e interpretar a Lei de Moisés; tinham certeza de que eram iluminados por Deus em suas interpretações; não largariam as posições religiosas, que lhes davam prestígio, e seus cargos de relevância na sociedade, para serem seguidores de um filho do demônio, um desconhecido pobretão, em quem a classe social mais baixa, sem estudo, a ralé ignorante do povo estava acreditando. Esses eram seus sentimentos e o pensamento que tinham sobre Jesus.

Pilatos – que lavou as mãos, deixando que matassem Jesus, por dois medos: um, medo do povo e dos judeus; outro, o medo de desagradar o imperador e perder seu cargo – não odiava Jesus. Ele só era um medroso ganancioso, com sonho de poder. Mas os escribas, os príncipes dos sacerdotes, os fariseus, os anciãos do povo, os doutores da lei, tinham em si maldades e perversidades que Pilatos não tinha, pois sendo autoridades religiosas, queriam matar Jesus, por causa da grande inveja e do ódio que tinham dele.

Os escribas não acreditavam que quem estava diante deles, falando com eles, era o cumpridor das profecias que eles estudavam na Torá, profecias que eles conheciam, profecias de Davi, como está escrito nos seguintes Salmos: 21; 15, 9-10; 39; 54; 68, 20-22; 77, 68-71. É verdade que, naquele momento, eles não poderiam entender as passagens da Torá que falavam do sofrimento de Jesus na cruz, pois não associavam as profecias a Jesus, nem à traição de Judas, nem ao sorteio do manto etc. Contudo, se fossem humildes, iriam entender durante ou depois da prisão, julgamento, tortura e crucificação de Jesus. 

Deus, porém, em Sua bondade, para ajudar os estudiosos a verem a verdade, além de Davi, inspirou que outros profetizassem sobre Jesus, entre eles: Miqueias, Jeremias, Zacarias e Isaías. 

Mas apesar de conhecer as profecias na letra, os escribas não as conheciam no espírito da letra.

Tais profetas falaram a respeito de Jesus, o Messias, o Filho de Deus, o Salvador.

Estes escribas leram as profecias. Liam e reliam estes textos em seus estudos na Torá; mas tendo a verdade diante de seus olhos, não a tinham no coração; tendo nas mãos, não a tinham na alma; olhando a verdade, viam a mentira; pois acontecia com eles o que pode acontecer com qualquer pessoa:

Eles eram vítimas de suas vontades pessoais que os cegavam, distorciam seus raciocínios.


OREMOS UM POUCO PARA SEGUIR A LEITURA:

Deus de misericórdia, libertai-me de meus interesses pessoais, para que eu não fique impedido de ver, reconhecer, aceitar, querer e amar na minha vida somente a Vossa vontade.

Senhor Deus, eu Vos peço, no Nome de Jesus, protegei-me de mim mesmo. Que a Santíssima Trindade crie uma lei eterna para mim; que seja decretado diante de Vós, que jamais o Senhor atenderá algum pedido meu, seja qual for, nem fará minha vontade, por mais que eu peça, se minha vontade não for a vossa vontade. Tende misericórdia de mim, meu Senhor, e não realizeis meus desejos se eles não forem Vossos desejos. Eu Vos sou e serei eternamente grato por esse ato de amor e misericórdia por mim. Amém.


EXORTAÇÕES DE JESUS CONTRA OS ESCRIBAS

Jesus chegou a pregar, exortando diretamente os escribas, numa tentativa de fazer com que eles se arrependessem de seus erros, maldades, hipocrisias, mentiras, e outros pecados. Jesus lhes disse:

“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Vós fechais aos homens o Reino dos céus. Vós mesmos não entrais e nem deixais que entrem os que querem entrar”.

“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Percorreis mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior que vós mesmos”.

“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes aos sepulcros caiados: por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão”.

(Mt 23, 13.15.27)

ALGO IMPEDIA OS ESCRIBAS DE CREREM EM JESUS

Os escribas estavam impedidos de crer em quem poderia salvá-los, porque não estavam dispostos a reconhecerem,  arrependerem-se, renunciarem-se e pedirem perdão a Deus por seus erros e pecados. Não queriam mudar de vida. Estavam apegados à vida que viviam. Não queriam sair do que consideravam importante para eles.

Suas decisões, por se manterem no pecado de suas vontades pessoais, davam aos demônios autoridade sobre suas mentes, sentimentos e alma. Apesar dos demônios terem força para prendê-los, mais forte do que eles eram as más intenções e inclinações que os levavam a não ter fé em Jesus Cristo; pois, se tivessem fé, se procurassem o Senhor, Jesus os livraria das prisões e de seus carcereiros. Todavia, eles não queriam crer que aquele homem era o Messias, o Filho de Deus, o Salvador. Eles se recusaram a crer. Os demônios os faziam ficar nervosos com as Palavras de Jesus, inquietos, impacientes. Com a presença de Jesus, os diabos os faziam desprezar e odiar Jesus com seus olhares.

Esse comportamento, de se manterem em seus orgulhos, dava aos demônios a força para endurecer mais e mais seus corações; e isso ia tornando-os, a cada dia, imagem e semelhança de Satanás. Por esse motivo, Jesus, que tudo pode, não pôde salvar nenhum dos escribas que morreram sem se arrepender.

Jesus lhes falou, mas eles preferiram ouvir a voz do inimigo de suas almas. Morrendo sem arrependimento, após a alma sair do corpo, eram levados para o julgamento. Após a sentença de condenação; já que eles recusaram, em vida, se reconhecerem culpados e pedir perdão de seus erros e pecados; eram, então, arrastados para o inferno por aqueles maus espíritos, de cujas inspirações preferiram ouvir e seguir na terra.


JESUS NÃO PÔDE ENTRAR NO CORAÇÃO DOS ESCRIBAS, COMO TAMBÉM NÃO PÔDE ENTRAR NO CORAÇÃO DE MUITAS PESSOAS

Jesus entrou em uma sinagoga e falou. As pessoas O ouviam, ficavam admiradas de Sua sabedoria, unção e autoridade espiritual ao falar. Essas pessoas sabiam que um homem chamado Jesus estava operando curas, milagres e prodígios. Esse homem estava agora diante delas, falando e tocando seus corações, suas almas.

Apesar de Jesus lhes falar ao coração, de lhes emocionar, de lhes dar bons arrepios no corpo, de lhes transmitir paz; a indisposição para ouvir Deus e a ampla disposição para ouvir a si mesmos, ouvir outros homens, ouvir o mundo, era tão grande que lhes tornaram insensíveis e inflexíveis com as graças e bênçãos que Jesus lhes concedia ao falar também para elas.

Quando Jesus fala, sua Palavra não é como a nossa, homens de carne. Suas Palavras são Espírito e Vida. “O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida”. (Jo 6,63) Quem ouve Jesus, recebe Espírito e Vida, que pode acolher ou recusar.

Ao comunicar seu Espírito e sua Vida para as pessoas a quem dirige suas Palavras, Jesus está dando a Si mesmo, dando Seu modo de vida, Sua ocupação no Pai, que O enviou a nós. Jesus está dando, Nele mesmo, o verdadeiro fundamento da vida, o princípio e a essência de nossa existência, para que possamos renascer do alto, viver a vida Nele.

Jesus está nos dando… prestemos bem atenção às seguintes palavras: Jesus está nos dando Seu Espírito para que consigamos DEIXAR DE EXISTIR PARA NÓS MESMOS e assim vivamos para Deus. Se escutamos as Palavras de Jesus, mas não a valorizamos, não a temos como dom precioso, maior riqueza, tesouro insubstituível. Se não confiamos plenamente nas Palavras de Jesus, se a ouvimos como palavras comuns, palavras dos homens de carne, então é sinal de que existimos para nós mesmos e não para Deus.

Enquanto existimos para nós mesmos, ficamos impossibilitados de nos renunciar para seguir Jesus, carregando a nossa cruz, como Jesus quer. Eis as Palavras exatas de nosso Jesus: 

“Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”.

(Mt 16, 24)

Se não deixarmos de existir para nós mesmos, não morreremos com Jesus. Se não morrermos com Ele, não poderemos viver com Ele. 

“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto”.

(Jo 12, 24)

“De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis.”

(Rm 8, 13)

Ao nos dar Sua vida, Jesus nos dá a vida eterna com Ele, já iniciando aqui na Terra. Ao nos dar Sua vida, está nos dando Seu entusiasmo, Sua força e poder, Sua felicidade, Sua sabedoria, Suas atividades, nas quais quer que nos ocupemos, tirando-nos assim do ócio e vadiagem desregrada mundana.

Se não dermos atenção ao dom da vida que Ele nos dá; se não procurarmos entender a preciosidade dessa vida para nós e para os outros; ficaremos presos em nossas próprias vidas, que significa prisão na carne; a carne que Jesus diz não servir para nada (cf. Jo 6, 63).

Enquanto nos prendermos em nossa vida e não na vida de Deus; sendo escravos de nossa vida e não da vida de Deus; nós estaremos sempre tentando salvar a vida que nos mata, nos condena, e tentando matar a vida que nos vivifica, nos salva. 

“Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á”.

(Mt 10, 39)

AS PESSOAS RECEBEM DE JESUS A VIDA, MAS NEM TODAS A QUEREM

Por não receberem querendo receber o Espírito e a Vida que Jesus dá; por não quererem pensar sobre o que é esse Espírito e essa Vida; as pessoas não usufruem das riquezas de graças que estão nelas, dadas pelo próprio Senhor. Se elas quisessem, já estariam dentro do caminho do seguimento de Jesus, porque teriam ouvido e seguido o conselho, a pregação, a oração ou a música na qual Jesus lhes falou através de seus enviados mais de uma vez.

Saibam as pessoas ou não, a todos Jesus concede graças para a salvação eterna. Os que querem realmente se salvar, apropriam-se dessas graças, fazem de tudo para crescerem “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (II Pd 3,18). Mas os que não se preocupam com sua salvação, não querem meditar sobre:
– Deus e o Diabo.
– Salvação e condenação.
– Céu e inferno.

Se o católico não quer aprofundar esses assuntos à luz de Deus; se não quer saber o que leva ao Céu ou ao inferno; esse católico têm em si as graças de Deus necessárias à sua salvação, mas prova que não as quer, pois não pensa, em oração, nos assuntos de Deus necessários à sua salvação.

Muitas dessas pessoas se dizem católicas e frequentam a igreja aos domingos para a Missa. Pensam que isso é o suficiente. A Palavra de Deus diz: “Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele a glória agora e eternamente”. (2Pd 3,18) 

Como um católico pode crescer no conhecimento de Jesus Cristo sem leitura oracional, estudo oracional da Sagrada Escritura diária? Sem um maior entendimento do que é a Santa Missa, sem jejum, penitências e sacrifícios para reparar seus pecados?


Nem todo o que diz que ama a Deus, ama-O de verdade.
Nem todo o que diz que quer ser de Deus, quer ser de verdade.

Muitos dizem que vão seguir Jesus, mas nunca se esforçaram para entrar no caminho do seguimento.

“Por que me chamais: Senhor, Senhor… e não fazeis o que digo?” (Lc 6,46)

Muita gente chama Jesus de Senhor, vendo a palavra “Jesus” apenas como título no início de algum capítulo da Bíblia; veem Jesus como um personagem importante da Bíblia, um Jesus que é uma linda lenda, ficção de uma história milenar. Conhecem as letras que escrevem a palavra Jesus, mas não conhecem a Pessoa de Jesus, nem fazem por onde conhecer, porque não sabem que não só é possível, mas vontade de Deus que Seu Filho Único seja conhecido, amado, obedecido e servido.

No dia do julgamento final, estas pessoas serão julgadas por não terem se esforçado para se salvar, por não terem se esforçado para conhecer melhor a Palavra de Deus na Bíblia e na Doutrina da Igreja Católica, que Jesus fundou em Pedro, e que as levaria a conhecer Jesus. Os outros que serão julgados, serão todos os católicos que conheceram Jesus, mas por estarem muito ocupados de suas vidas, não tentaram evangelizar mais pessoas, não oraram, não jejuaram, não fizeram penitências, para a maior glória de Deus, a salvação das almas e a libertação das almas do Purgatório, e para a reparação de seus pecados.

São João Bosco dizia a todos, principalmente aos seus alunos: 

“Não penses que vives neste mundo para divertir-te, enriquecer-te, comer, beber e dormir, como os animais irracionais; pois o fim para o qual foste criado é infinitamente mais nobre e mais sublime; ou seja, para amar e servir a Deus nesta vida, e salvar assim a tua alma.”

(Livro: O Jovem Instruído)


DEUS QUER QUE TODOS SE ARREPENDAM

O Senhor “não quer que alguém pereça; ao contrário, QUER QUE TODOS SE ARREPENDAM”. (II Pd 3,9) 

Como alguém pode se arrepender de seus erros e pecados se não usar sua inteligência, sua memória, sua consciência, em meditação e oração, procurando saber o que é o Espírito e a Vida de Jesus?
Se não meditarmos, como o Espírito e a Vida nos serão dados por Jesus? O que ofende o Espírito e a Vida? QUEM NÃO FARÁ ESSAS MEDITAÇÕES?

Todos os católicos e não católicos que NÃO querem viver no Espírito e na Vida que Jesus oferece a todas as pessoas (sejam católicas ou não) NÃO farão essas meditações em suas vidas; e ainda se fizerem, farão uma vez ou outra, pensando que é o suficiente para se salvarem, MAS NÃO É, porque DEVEMOS CRESCER no conhecimento de Jesus Cristo e NÃO PARAR de crescer nesse conhecimento.

Espiritualmente, QUEM PARA, não fica estacionado, e sim, retrocede; porque PARAR É CESSAR o crescimento espiritual na Pessoa de nosso Salvador. PARAR É PERMANECER em alguma parte do caminho, o que pode ser pertinho da chegada. PARAR É NÃO IR até o fim. 

“Cristo, porém, o foi como Filho à frente de sua própria casa. E sua casa somos nós, CONTANTO QUE PERMANEÇAMOS FIRMES, ATÉ O FIM, professando intrepidamente a nossa fé e ‘ufanos* da esperança que nos pertence’.”

(Hb 3, 6)

*Entendamos ufanos no sentido de nos gloriarmos na esperança, sentirmo-nos triunfantes com a esperança.

Você que NÃO ESTÁ na Igreja Católica – que Jesus fundou em São Pedro para que, por ela, possamos chegar a Deus – não se preocupe, não tema, pois Jesus veio salvar a todos. 

A Sagrada Escritura diz: “O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”. (Lc 19,10) “Assim é a vontade de vosso Pai celeste, que não se perca um só destes pequeninos”. (Mt 18,14)

O QUE VOCÊ PRECISA FAZER PARA SE SALVAR?

Se se afastou da Igreja que Jesus fundou em Pedro:
– retorne,
– faça uma boa confissão
– e persevere até o fim da vida. 

“Quisestes apartar-vos de Deus; ponde agora dez vezes mais zelo em procurá-lo”.

(Br 4, 28)

SE VOCÊ NÃO É CATÓLICO, procure ser!

Apenas tenha cuidado em como fará para se aproximar, entrar na Igreja e permanecer nela, pois dentro da Igreja existem os bons e os maus católicos; os bons servem a Jesus Cristo, os maus servem a Satanás. Ter filhos dos demônios dentro da Igreja significa que a Igreja e seus membros são perseguidos dentro e fora dela. 

Jesus diz: “Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo”. (Mt 10,22)

Procure católicos em quem você possa confiar.

Como distinguir, dentro da Igreja, os lobos das ovelhas? 

Jesus responde: “Ou dizeis que a árvore é boa e seu fruto bom, ou dizeis que é má e seu fruto, mau; porque é pelo fruto que se conhece a árvore”. (Mt 12, 33) 

Observe o comportamento do católico, e não somente suas palavras. Compare o que ele diz com o que diz a Bíblia e a doutrina da Igreja Católica. Se houver disparidade, afaste-se desse ou desses “católicos” urgentemente, pois não servem a Deus, e sim ao inimigo de Deus e de sua alma.

Repito! Dentro da Igreja está o joio e o trigo. 

Um dia os Anjos perguntaram a Deus se Ele queria que eles arrancassem o joio. Deus disse: 

“Não, arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro.”

(Mt 13, 30)

Jesus falou aos Apóstolos: “Não vos escolhi eu todos os doze? Contudo, um de vós é um demônio!” (Jo 6,70) 

Muitos andavam com Jesus e se diziam seus discípulos, mas quando Jesus falava assuntos que eles não entendiam, ou que discordassem, eles simplesmente iam embora, diziam que não eram mais discípulos daquele homem.

Quando Jesus falou sobre o mistério da Eucaristia, dizendo: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele”. (Jo 6, 54-56) Muitos discípulos, juntamente com os judeus, escandalizaram-se e diziam entre si: “Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?” (Jo 6, 52) Nós não somos canibais. Nós não comemos carne humana.

Com estes questionamentos e acusações, muitos não quiseram mais ouvir o que Jesus falava. Muitos foram embora. Muitos que gostavam de ouvir Jesus, neste dia abandonaram Jesus, “muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele”. (Jo 6, 66) 

P.S. Olhem só o número do capítulo com o versículo: 666, o número da Besta Fera. Número da traição, da infidelidade.

Como você vê, ser católico não é fácil, é somente para quem quer seguir Jesus, renunciando a si mesmo, carregando a sua cruz. Tem uma coisa bela em nossa Igreja: ela nunca perdeu um filho, nunca um filho foi infiel a ela. Somente os que sempre foram infiéis e traidores é que agiram conforme o que são.

Se repete na história da Igreja de hoje o que sempre aconteceu, desde o início, com Jesus: o infiel, que nunca foi fiel, sai da Igreja, graças a Deus, pois quanto mais tempo fica, mais mal faz; o traidor também saiu, graças a Deus, pois durante o tempo que fica entre nós, Corpo de Cristo, ele não deixa de seguir sua natureza traiçoeira e desleal.

Cuidado! Tem muito “católico” fazendo sua própria doutrina fajuta sobre a doutrina da Igreja.

Estes dizem:
– Que o inferno não existe, que ele é aqui na terra.
– Que as mulheres deveriam ser ordenadas “padras”.
– Que, se os padres casarem, acaba com os pecados carnais deles.
– Que o mar não se abriu para o povo judeu passar.
– Que a multiplicação dos pães foi o “milagre da partilha”: quem tinha, partilhou com quem não tinha.
– Que é impossível uma pessoa ficar três dias no ventre do peixe, como Jonas.
– Que Jesus não andou sobre as águas, é que naquele dia a água tinha baixado e os apóstolos pensaram que Jesus andava sobre as águas.
– Que não é verdade que Jesus mandou a febre da sogra de Pedro ir embora e a febre foi, porque a febre não ouve nem fala.
– Que a Eucaristia é só pão e vinho, e não Corpo de Cristo. Se é o Corpo de Cristo, cadê Ele? Por que não O vemos?

Seria bom se estas pessoas, com espírito de humildade, orassem com o seguinte pensamento de Santo Agostinho: 

“Mas, quem quer que sejas tu que não queres crer senão no que vês, [e] vês com os olhos do corpo os corpos presentes, e com o espírito vês as tuas vontades e pensamentos – que estão no próprio espírito -, dize-me, te peço, com quais olhos vês a boa vontade do teu amigo para contigo? Pois nenhuma vontade pode ser vista com os olhos do corpo. Ou, por acaso, vês também com o espírito o que se passa no espírito de outrem?

Mas se não vês, como retribuis a boa vontade amiga, se não crês naquilo que não podes ver? Dirás que vês a boa vontade do outro pelas suas obras? Então, verás os feitos e ouvirás as palavras, mas na boa vontade do amigo, que não pode ser vista nem ouvida, crerás.

Com efeito, essa boa vontade não é uma cor ou uma figura posta diante dos olhos, não é um som ou uma cantiga que chega aos ouvidos, nem é algo de teu, sentido pela afeição do coração. Então, [só] te resta crer no que não vês, no que não ouves e no que não podes perceber dentro de ti, para que tua vida não seja vazia, desprovida de amizade, e para que o amor que te foi oferecido não seja, por sua vez, por ti retribuído. Onde está, então, aquilo que dizias, que não deves crer senão naquilo que vês, ou externamente com o corpo ou internamente com o coração?”

Santo Agostinho. “A fé nas coisas invisíveis.” São Paulo: Paulus, 2017. p. 297-314. (Patrística)


PERGUNTEMO-NOS: E EU, COMO CATÓLICO…

Sou católico mesmo?

Tenho pelo menos o mínimo de conhecimento necessário da Doutrina da Igreja, se não gosto de ler, ou se não tenho o documento em casa? 

Procuro dar meu jeito para me informar com quem posso me formar?

Sou Católico Apostólico ou católico “apostásico”?

Os escribas eram do povo escolhido, os judeus, mas eram judeus inimigos de Deus. Meu comportamento diz que sou amigo ou inimigo de Deus?

Sou aquele católico que a Doutrina da Igreja tem de se amoldar a mim, a meus gostos e opiniões, e não eu a ela?

Sou aquele católico que, devido ao meu jeito de ser, temperamento, opiniões, Jesus não pode fazer curas, milagres, prodígios, santificação em minha vida?

Sou aquele católico que confia em Deus, mas sempre em segundo lugar?

Confio em Deus, mas se o problema for grande demais e houver urgência, eu tenho de primeiro agir e depois orar?

Sou aquele católico que, por meu caráter, Jesus diz para mim o que disse aos judeus, aos escribas e a outras pessoas: “Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e na sua própria casa.” (Mc 6, 4)?

Sou aquele católico que Jesus se admira de minha desconfiança Dele (Mc 6, 6), ou sou aquele católico que pensa como Santo Agostinho: “É melhor crer no que é verdadeiro, ainda que não possa ser visto, do que pensar que aquilo que vemos é verdadeiro quando é falso. Também a fé tem olhos próprios com os quais de algum modo vê que é verdadeiro o que ainda não vê, e com os quais vê, com toda certeza, que ainda não vê aquilo em que crê.” (Carta 120, II, 8)?


PARA ORARMOS E PENSARMOS!

No meio de muitas pessoas, Jesus “não pôde fazer ali milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos”. (Mc 6, 5)

Deus, que é bom, misericordioso e poderoso, abençoe-nos a todos.
J.V.

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