Àqueles que desejam seguir Jesus, Ele diz que renunciemos a nós mesmos, tomemos nossa cruz e O sigamos. As vezes, é árduo o nosso peregrinar ante as dificuldades da vida. Há momentos em que devemos aturar de bom grado penas, injúrias e diversos incômodos, as vezes, até sem entendermos o porquê. Porém, saibamos que tudo o que nos acontece está sob a permissão divina. E Deus só quer o nosso bem. Podemos, sim, viver plenamente a paz e alegria perfeita já nesta terra! Ainda que estejamos em meio as intempéries da vida.

Disso, São Francisco de Assim, em seu abandono e confiança total em Deus, nos deixou o exemplo.

São Francisco explica o que é a Perfeita Alegria

REFLETINDO SOBRE A PERFEITA ALEGRIA

Chamando Frei Leão, que ia na frente, Francisco lhe disse: “Frei Leão, ainda mesmo quando nós, frades menores, em toda terra déssemos exemplo de santidade e de boa edificação, não obstante escreve e nota diligentemente que não está nisso perfeita alegria”. E, indo São Francisco mais além, chamou-o pela segunda vez e lhe disse: “Ó Frei Leão, ainda mesmo quando o frade menor iluminasse os cegos, estirasse os entrevados, expulsasse os demônios, restituísse o ouvido aos surdos e o andar aos coxos, o falar aos mudos e, o que é maior coisa, ressuscitasse os mortos de quatro dias; escreve que nisto não está perfeita alegria”.Pela terceira vez, após haver caminhado um pouco, Francisco gritou forte: “Ó Frei Leão, se o frade menor soubesse todas as línguas e todas as ciências, e todas as escrituras, de modo que soubesse profetizar, e revelar não somente as coisas futuras, mas até mesmo os segredos das consciências e das almas; escreve que não está nisto perfeita alegria”.

Indo um pouco mais além, São Francisco chamou ainda forte: “Ó Frei Leão, ovelhinha de Deus, ainda que o frade menor fale com língua de anjo, e saiba os cursos das estrelas, e as virtudes das ervas; e ainda quando lhe fossem revelados todos os tesouros da terra, e ele conhecesse as virtudes das aves, e dos peixes, e de todos os animais e dos homens e das árvores, e das pedras e das raízes e das águas, escreve que não está nisso perfeita alegria”.
E, andando São Francisco mais um pedaço sem dizer nada, depois chamou forte: “Ó Frei Leão, ainda quando o frade menor soubesse pregar tão bem que convertesse todos os fiéis à fé de Cristo, escreve que não está perfeita alegria!”.

E, durando este modo de falar por bem duas milhas, com admiração Frei Leão lhe disse: “Pai, rogo-te da parte de Deus me digas onde está perfeita alegria”.E São Francisco respondeu-lhe: “Quando estivermos em Santa Maria dos Anjos, assim banhados pela chuva e gelados pelo frio, e enlameados de lodo, e aflitos de fome, e batermos à porta do lugar, e o porteiro vier irado, e disser: “Quem sois vós?”, e nós dissermos: “Somos dois dos vossos irmãos”, e ele disser: “Não falais a verdade, antes sois dois tratantes, que andais enganando o mundo, e roubando as esmolas dos pobres; ide-vos embora!”, e não nos abrir, e nos fizer ficar do lado de fora, expostos à neve e à água, com frio e com fome, até à noite; então, se nós agüentarmos pacientemente tanta injúria e tanta crueldade e tantos repúdios, sem nos perturbarmos, e sem murmurar contra ele, e humilde e caridosamente pensarmos que aquele porteiro realmente nos conhece, e que Deus o faz falar contra nós, – ó Frei Leão, escreve que aí está perfeita alegria”.

“E, se nós perseverarmos batendo, e ele sair para fora perturbado, e como a uns pés-rapados importunos nos enxotar com vilanias e com bofetadas, dizendo: “Parti-vos daqui, ratoneiros vilíssimos, ide para o hospital, pois aqui não comereis nem vos abrigareis”; se nós aguentarmos isto pacientemente e com alegria e com amor; ó Frei Leão, escreve que aí está perfeita alegria.
“E se, embora forçados pela fome, e pelo frio e pela noite, batermos mais, e com grande pranto rogarmos pelo amor de Deus que ele nos abra e n os ponha também para dentro, e ele, mais escandalizado, disser: “Estes são uns marotos importunos, mas eu lhes pagarei bem, como merecem”, e sair fora com um porrete nodoso, e nos pegar pelo capuz, e nos jogar por terra, e nos envolver na neve, e nos bater com aquele porrete; se nós todas estas coisas agüentarmos pacientemente e com alegria, pensando nas penas de Cristo bendito, as quais devemos aguentar por seu amor; ó Frei Leão, escreve que aqui e nisto está perfeita alegria!”“E, no entanto, Frei Leão, ouve a conclusão: Sobre todas as graças, e os dons do Espírito Santo, as quais Deus concede aos seus amigos, se há de vencer a si mesmo, e, por amor de Cristo, aturar de bom grado penas, injúrias e opróbrios e incômodos, porque em todos os outros dons de Deus nós não podemos gloriar-nos, por não serem nossos, mas de Deus. Pelo que o Apóstolo diz: “Que tens tu que não hajas de Deus? e, se dele o houveste, por que te glorias dele, como se de ti houvesses?” Mas na cruz da tribulação e da aflição podemo-nos gloriar, porque esta é nossa; e por isto o Apóstolo diz: “Não quero gloriar-me senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo!”

FONTE: Fontes franciscanas – I Fioretti


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A PERFEITA ALEGRIA (LYRIC CLIP)


LETRA DA MÚSICA: A PERFEITA ALEGRIA

Cai a tarde de inverno impiedoso
e Francisco e Leão sob a neve caminham
Vão tornando à Santa Maria
com fome e com frio ao final de outro dia.

Frei Leão vai na frente ligeiro,
Frei Francisco o chama e lhe diz:
Frei leão toma nota se queres saber o que é a perfeita alegria.

Se nós tivermos a graça de Deus
de pregar o Evangelho e a cruz
e por obras e exemplos pudermos levar a Jesus.
E convertermos os homens à fé,
até mesmo os de mal coração,
Frei Leão isto ainda não é a perfeita alegria.

Imagine Leão que Deus nos tenha dado
a graça de a todos curar
de fazer ver a cegos, a coxos andar,
surdos ouvir e mudos falar.

E que até os demônios fugissem
ao comando de nosso olhar,
e que os mortos nós ressuscitássemos, isto não é a perfeita alegria.

E se falássemos todas as línguas
com o dom de bem comunicar,
transformando os reinos da terra
em reinos de paz.
E se soubéssemos toda a ciência,
e os segredos da terra e do mar.
Frei Leão isto ainda não é a perfeita alegria.

Mas então, Pai Francisco,
o que é a perfeita alegria?

Se ao chegarmos ao nosso convento
e batermos depressa esperando entrar,
e o porteiro do lado de dentro
ao invés de abrir põe-se assim a falar:

Quem sois vós que assim importunos
nesta hora nos incomodais?
Somos nós, teus irmãos,
Frei Leão e Francisco que chegam e querem entrar.

E Frei Leão se o porteiro disser
que é mentira e que não abrirá
que encontremos um outro lugar
em um canto qualquer.
E se nós diante da porta fechada,
sob a noite e a neve que cai
conservarmos a paz, isto é a perfeita alegria.

Mas se nós insistirmos em pranto
que abra que tenha piedade de nós,
pois com fome e tão necessitados
na noite não temos consolo e lugar.

E se então o porteiro sair,
empunhando o bastão a gritar.
E bater em você e em mim
muito mais nos deixando no chão a chorar.

E Frei Leão, se for Deus que tal faz,
que nos deixa na noite e na cruz,
se entendermos que este abandono imita Jesus.
E se nós diante da porta fechada,
sob a noite e a neve que cai,
Conservarmos a paz, isto é a perfeita alegria.

2 comentários

  1. Jamais alcançaríamos a Perfeita Alegria se ela estivesse nas primeiras coisas que São Francisco falou porque não somos capazes de nada. Deus colocou a Perfeita Alegria onde nós, miseráveis, poderíamos alcançar: nas misérias.

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