Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado!

No dia 21 de janeiro, a Santa Igreja comemora o dia de Santa Inês, jovem mártir que encontrou na pureza a sua maior oferta a Deus. E enquanto muitos usam seus corpos para ofenderem ao Senhor, Santa Inês usou para glorificar a Deus com palavras e atos.

Santa Inês, virgem e mártir

Assim escreve Santo Ambrósio sobre essa pequena virgem:

“Quão mais valorosas que são as nossas virgens, as quais vencem mesmo potestades invisíveis; triunfam não só no mundo (e nos afetos), mais ainda, no príncipe do mundo. Menor de idade, embora Inês fosse maior pela virtude, mais gloriosa na vitória, mais firme na constância; não mutilou a língua por temor, antes a conservou por troféu de vitória. Porque sua crença era religiosa e não criminosa, nada havia que ocultar. Assim a virgem Inês calou seu segredo, e louvou ao Senhor.”

Aproveitemos esta data especial para pedir a Santa Inês, virgem e mártir, sua intercessão por nós. Que ela nos alcance a graça de também inclinarmos nossa natureza para amar a Deus, e através da pureza de corpo e de coração, Jesus e Maria encontrem em nós lugar agradável de consolo e repouso.

Leiamos um pouco mais sobre o que Santo Ambrósio fala sobre Santa Inês em seu livro “O Esplendor do Lírio.


CAPÍTULO SEGUNDO

Ambrósio narra, no início de seu livro, o natalício de uma virgem, isto é, da bem-aventurada Inês. Celebra-lhe o nome, a pureza, o martírio, mas principalmente a idade, porquanto aos 12 anos venceu varonilmente os tormentos, as promessas e, finalmente, a própria morte.

5. É feliz coincidência encetarmos nosso livro dedicado às virgens no dia natalício duma virgem. É o natal duma virgem, imitemos a pureza. É o natal de uma mártir, imolemos vítimas. É o natal de Inês, admirem-se os varões, não desanimem os jovens, pasmem as esposas, imitem-na as virgens.

Mas, como louvaremos aquela cujo nome encerra um elogio? O devotamento excedeu-lhe a idade, a virtude sobrepujou-lhe a natureza de tal modo que me quer parecer recebesse não um nome humano, mas anúncio do martírio futuro.

6. Tenho, porém, donde tirar explicação. O nome da virgem designa pudor. Chamá-la-ei mártir, proclamá-la-ei virgem. Suficientemente expressivo é o louvor que se não procura, mas que se possui. Desmaiem-se os talentos, cale-se a eloquência que uma só palavra é o elogio bastante. Cantem-lhe louvores os anciãos, os jovens e as crianças. Só é condignamente louvável quem por todos pode ser louvado. Quantos forem os homens, tantos serão os elogios à mártir.

7. Refere-se que Inês foi martirizada aos 12 anos. Abominável crueldade que não poupou idade tão tenra e grande valor o da fé atestada por tal idade. Havia onde ferir corpo tão tenro? Entretanto, aquela que não tinha onde receber ferida da espada soube por onde vencer o gládio. Nesta idade, as crianças não suportam o semblante carregado dos pais, e costumam chorar com as picadas de agulha como se fora incisão. Impávida entre as mãos cruentas dos algozes, imóvel no meio do tanger das pesadas cadeias, entrega todo o seu corpo à espada de furioso soldado; ignora o que seja morrer e já está pronta para fazê-lo.

Arrastam-na, constrangida, aos altares, mas, elevando os braços para Cristo, no meio das chamas, ostenta dentro das labaredas sacrílegas o troféu do Senhor vitorioso. Oferece pescoço e mãos às algemas; não as havia, porém, que ligassem membros tão pequenos.

8. Nova espécie de martírio? Ainda não amadurecida para o suplício e já o era para a vitória: luta desigual, mas triunfo fácil, ensina fortaleza aquela a quem idade não dava direitos. A cabeça adornada da beleza de Cristo e não de cabelos trabalhados, coroada não de flores, mas de virtudes, a virgem caminha animosa para o lugar do suplício, tão prestes para as núpcias, não correria a esposa. Todos choram, exceto a virgem.

Admiram-se que sacrifique, tão pródiga, uma vida ainda não vivida, como se já tivesse chegado ao termo. Maravilham-se dê testemunho da divindade quem, pela idade, não era senhora de si mesma.

Finalmente fez com que se atribuísse a Deus o que não podia ser realizado por homens. Aquilo que ultrapassa a natureza compete ao autor da natureza.

9. Quanto pavor incutiu o algoz para intimidá-la, quanta promessa para dissuadi-la. Quantos anelaram desposá-la? Ela, porém, replica: “é ofender o Esposo fazê-lo esperar pela amada que lhe agrada. Receber-me-á Aquele que, primeiro, me escolheu. Por que tardas, algoz? Pereça o corpo amado de olhos que aborreço“. A virgem firmou-se sobre os pés, orou e, em seguida, dobrou a cabeça sobre o cepo. O algoz, porém, começa a hesitar como se ele próprio tivesse sido ferido; treme-lhe a mão, empalidecem-lhe as faces à vista do perigo alheio; a virgem, entretanto, nada teme.

Numa hóstia dois martírios: o da castidade e o da religião. Permaneceu virgem e coroou-se mártir.

2 comentários

  1. Lindo testemunho. Tão pequena. Que Deus me dê a graça de evangelizar minhas filhas a ponto de também serem capazes de dar suas vidas por amor a Deus 🙏

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