VOCAÇÃO DE JESUS!
Deus seja amado com todas as forças de nosso coração e de nossa alma.

QUEM ESTÁ MODELANDO SUA MENTALIDADE CRISTÃ?

Você tem se tornado:
Uma pessoa que ama e serve ao Deus único com sinceridade e verdade?
Uma pessoa que se apresenta no Nome de Deus, mas é um hipócrita?
Uma pessoa que se mostra prática, educada, cheia de dons, mas que serve ao Diabo?

SUA MENTALIDADE CRISTÃ FOI MODELADA PELA FÉ EM JESUS CRISTO?

Mas!
Como está seu entendimento espiritual?
Como sua mentalidade cristã já está formada ou se formando?

Vou lhe fazer umas perguntas. Seja objetivo, escolhendo uma resposta sem tentar conciliar as trevas e a luz. Se sua resposta for dúbia, sua mentalidade está formada pela cultura do mundo, que tem por base a doutrina de Satanás, que é a mentira. 

Jesus diz:

“Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno”.

(Mt 5, 37)

Vamos às perguntas! São simples, mas servirão para mostrar a você mesmo, caso você queira ver, se quem está formando sua mentalidade serve a Deus ou ao Diabo. A primeira pergunta é:

EM QUE JESUS CRISTO VOCÊ CRÊ?

O Jesus que você acredita é amigo do mundo e de Deus ao mesmo tempo?

OU

O Jesus que você crê é aquele que, falando do mundo, diz: “O mundo não tem o Espírito da Verdade, o mundo não vê nem conhece a verdade” (Jo 14, 17)?

O Jesus que você crê é o Jesus que inspirou o Apóstolo São Tiago a dizer: “Não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”.
(Tg 4,4)?


O Jesus que você crê é o Jesus que é Deus de todas as religiões e está em todas elas, dizendo que todas as religiões são iguais? É o Jesus ecumênico que quer que todas as religiões sejam uma só, adorando ao mesmo tempo: Deus, Buda, Alá, Lutero, Zeus, Afrodite, Karl Marx, Poseidon, Hades, Satanás?

OU

O Jesus que você crê é Aquele que diz que é o único Caminho, única Verdade, única Vida, e que ninguém vai ao Pai senão por Ele? (Jo 14, 6)

O Jesus que você crê é Aquele que diz ao povo sobre os defensores dos deuses ecumênicos: “Não terás outros deuses diante de minha face“. (Ex 20,3) “Aquele que oferecer sacrifícios a outros deuses fora do Senhor, será votado ao interdito”. (Ex 22,20) “Não seguireis outros deuses entre os das nações que vos cercam” (Dt 6,14) “Se, esquecendo-te do Senhor, teu Deus, seguires outros deuses, rendendo-lhes culto e prostrando-te diante deles, desde hoje vos declaro que perecereis com toda a certeza”. (Dt 8,19)


O Jesus que você crê é o Jesus que se junta com os que bebem, falam bobagens, riem de piadas indecentes, embriagam-se e com eles bebe, fala e ri, porque Jesus veio para os pecadores?

OU

O Jesus que você crê é Aquele que veio libertar do pecado, salvar os pecadores, e não se juntar com eles para pecar?


O Jesus que você crê é o Jesus que só fala de vida, bênçãos, cura, milagres, prosperidade, ressurreição, Céu, evitando falar sobre carregar a cruz, suportar o sofrimento, perseverar nas provações, sofrimento, morte, inferno, Satanás, condenação?

OU

O Jesus que você crê fala de todas essas coisas, sem omitir as coisas ruins como: Satanás, inferno e condenação eterna?


O Jesus que você crê é Aquele que diz que, se você O seguir, só lhe acontecerão coisas boas na vida, que não terá problemas?

OU

O Jesus que você crê é o Jesus que disse a Pedro: “Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, COM PERSEGUIÇÕES e, no século vindouro, a vida eterna.” (Mc 10, 29-30)


O Jesus que você crê é o Jesus que diz que, se você O seguir e servir, você vai ser ajudado, compreendido, muito amado pelas pessoas?

OU

O Jesus que você crê é aquele que diz: “Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo”. (Mt 10,22)


O QUE ESTOU, EU MESMO, FAZENDO DE MINHA MENTALIDADE CRISTÃ?

A mentalidade é uma condição, um grau, um estado psicológico que pode ser alterado, condicionado para o bem ou para o mal, para liberar ou prender a capacidade de raciocinar em diversos graus. Por exemplo: o propósito da vida cristã é seguir a Cristo; um falso seguidor de Cristo, se encontrar pessoas que se deixem enganar quanto à doutrina do Evangelho, dará informações erradas do Evangelho de Jesus Cristo, repetirá muitas vezes, como clichê, várias mentiras; esse falsário repetirá até que, para seus incautos ouvintes, essas mentiras se tornem verdades.

Paul Joseph Goebbels foi um político alemão e Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista entre 1933 e 1945
Paul Joseph Goebbels

Essa tática diabólica vem sendo usada no mundo desde que Lúcifer foi expulso do Céu.

Joseph Goebbels, que foi ministro da propaganda do partido socialista comunista nazista de Hitler, ensinava aos altos oficias da Alemanha Nazista que “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. Hitler e todas as outras pessoas de autoridade e influência no governo socialista nazista mentiam e repetiam a mentira para os alemães.

Os alemães, quase em sua totalidade, acreditavam no que os mentirosos diziam, não só pela repetição da mentira, mas principalmente porque as mentiras estavam carregadas de energia dos demônios, tinham uma força preternatural diabólica.

O Padre Gabriele Amorth, que em vida era o exorcista chefe da Igreja Católica, disse que “Adolf Hitler e os nazistas estavam possuídos pelo capeta”. Se um ser humano não possuído pelo demônio mentir e repetir a mentira, a mentira poderá fazer seu mal, mas a mentira dessa pessoa não tem muita força; porém, se os mentirosos estão possuídos pelos demônios, as suas mentiras têm grande força hipnotizante.

Qualquer pessoa que aceite ouvir mentirosos inescrupulosos repetidas vezes, principalmente se estes estiverem possuídos pelos demônios, estará colocando sua mentalidade sob o controle de pessoas de má índole, de modo que, sem perceber, vai perdendo sua capacidade de pensar livremente; de avaliar, julgar e discernir acertadamente sobre verdade e mentira, erro e acerto, bom e ruim, bem e mal, Deus e Satanás. Isso acontece porque essa pessoa está sendo conduzida para o erro, o mal e o pecado em seus pensamentos, sentimentos, escolhas e decisões importantes. Isso a impede de:

Amar a Deus de todo o coração;
Amar o próximo;
Perdoar quem lhe ofende;
Reconhecer seus pecados;
Renunciar a si mesmo para seguir Jesus, carregando a sua cruz.

POR QUE DEVO TER MUITO CUIDADO EM PROTEGER A CONSTRUÇÃO DE MINHA MENTALIDADE?

Para eu não me tornar inimigo de Deus.
Para eu não odiar e querer uma morte cruel para quem pensa diferente de mim.
Para eu não pensar, não querer, não planejar a morte de pessoas.
Para eu mesmo não ser o meu maior inimigo.
Para eu não me destruir emocionalmente, mentalmente e espiritualmente.
Para que eu, tomado pela ansiedade e angústias, não planeje meu suicídio.
Para eu não odiar o bem e aprovar o mal.
Para eu não ver a mentira como verdade.
Para eu não servir ao Diabo, pensando que sirvo a Deus.

Se uma pessoa não defende e constrói sua mentalidade em oração, diante de Deus, à luz dos Mandamentos do Senhor, essa pessoa não terá, em sua mentalidade, a referência dos Mandamentos do Senhor para sua vida religiosa e moral, na vida familiar e em sociedade. Para ela, tanto faz estar diante da mentira ou da verdade. Ela não vê na verdade um fato que lhe interesse.

Uma mentalidade corrompida (por ter sido vencida pelo pai da mentira) ficou possuída pela mentira, ficando, assim, incapaz de amar, buscar, sondar, querer, meditar sobre a verdade. Se alguém tenta lhe falar sobre a verdade, mostrar e provar o que é, como se chega à verdade; essa pessoa se enfurece, não aceita ouvir, não aceita dialogar, parte para a agressão verbal e até física, porque tem dentro de si o desejo de quem criou a mentira.

Jesus, que é a verdade, que é o Filho de Deus, que é Deus, que é o Salvador, estava diante de pessoas com a mentalidade destruída pela mentira.
Falou com elas, mas elas negaram a verdade que estava diante delas; 
Elas odiaram a Deus, que falava com elas;
Elas desprezaram o Salvador, que lhes oferecia a salvação.

Por que tiveram essa atitude? Porque quem não ama a verdade, mesmo que esteja diante dela, odiá-la-á.

Jesus diz a esse tipo de pessoas:

“Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”

(Jo 8, 44)

Santo Tomás de Aquino diz que “quem diz verdades, perde amizades.” Quantas inimizades ou amizades estarei fazendo com esse artigo?

MENTALIDADE DA SALVAÇÃO SEM A CRUZ E DA RESSURREIÇÃO SEM A MORTE

Está na moda de hoje dizer que Deus não quer sofrimento. Por isso, se deve pregar somente sobre coisas boas, nada de falar sobre carregar a cruz, principalmente para os pobres oprimidos, que já sofrem muito.

Nada de falar de morte, porque o Evangelho é vida. Fale somente sobre a ressurreição. Tire-se dos altares das igrejas o crucifixo com Jesus ensanguentado, coloque-se no lugar uma imagem de Jesus Ressuscitado subindo ao Céu.

Nada de Missa da Idade Média. A Missa tem de ser uma festa alegre, dançante. Nada de dizer que as pessoas têm de vir para a igreja, para a Missa, com roupas de fanáticos. O aquecimento global esquentou tudo, o povo tem de usar pouca roupa por causa do calor. Falar que os homens devem usar calças compridas na igreja, que mulheres não devem usar decotes e que se deve negar a Comunhão a essas pessoas… isso é coisa de fanáticos.

NÃO EXISTE SALVAÇÃO SEM CRUZ, NEM RESSURREIÇÃO SEM MORTE

“A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina”.

(I Cor 1, 18)

“Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte.”

(Fl 3, 10)

Jesus diz; “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim”

(Mt 10, 38)

“Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”

(Mt 16, 24)

EXISTE FACILIDADE PARA SE ENTRAR NO CÉU?

Nestes últimos tempos, formou-se uma mentalidade de timidez e covardia em nós, católicos da Igreja que Jesus Cristo fundou em Pedro. Tal mentalidade está fazendo muitos católicos deixarem a Igreja. Outros permanecem na Igreja, mas segundo suas comodidades, covardias e vontades pessoais:

“se forem meus amigos”;
“se me compreenderem”;
“se não me desprezarem”;
“se me amarem”;
“se reconhecerem meus dons”;
“se me derem uma função importante, então, eu fico; mas se me tratarem mal, eu saio”.

O Reino de Deus não é para covardes, tímidos (Ap 21, 8). O Reino de Deus é para quem ama a Deus em primeiro lugar, não é para quem tem outros interesses. Quem tem outros interesses não fica no Reino de Deus muito tempo; fica um tempo, meses ou anos, mas depois sai.

A força do perseverante é o puro amor a Deus. Se houver impurezas nesse amor, o amor vai morrendo. Se o amor não tirar as impurezas, se não amar a Deus sobre todas as coisas, com toda a força que tem, perderá a perseverança e sairá do Reino de Deus.

Se Deus dissesse a você o que disse aos esmirnenses (que alguns iriam ser mártires), você continuaria na cidade ou fugiria para salvar a vida? No Livro do Apocalipse, Jesus manda avisar aos membros da Igreja Esmirna que alguns irão sofrer. Diz o Senhor: “Nada temas ante o que hás de sofrer. Por estes dias, o demônio vai lançar alguns de vós na prisão, para pôr-vos à prova. Tereis tribulações durante dez dias. SÊ FIEL ATÉ A MORTE e te darei a coroa da vida”. (Ap 2,10)

A coroa da vida é para quem ama a Deus. O Céu é para quem quer viver e morrer por Deus, com Deus e em Deus; não é para medrosos. Por isso, quem teme, comece a enfrentar o medo com a ajuda de Deus, pois o medo sempre perseguirá o ser humano. Ter medo é normal, o que não é normal é não enfrentar o medo com o amor e a fé em Deus. Quem é medroso, é medroso porque não se esforça, no amor e na fé no Senhor Deus todo poderoso, para se libertar do medo.

Quem ama a Deus, tem o Espírito Santo. Quem tem o Espírito, tem a coragem, a fortaleza para enfrentar as dificuldades da vida; pois na vida, nós passamos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus. A Palavra de Deus diz que devemos encorajar os outros dizendo que entramos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações, e não muitas diversões no mundo. “Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações”. (At 14,22)

Se amarmos o Senhor de todo o coração; se Ele for tudo o que quisermos; então esse puro e santo interesse nos prepara para não sermos infiéis ao Senhor; prepara-nos até para o martírio, se tivermos de passar por ele. Mártir é aquele que é morto por causa do Senhor Deus. São Francisco foi um grande santo, mas não foi mártir. Ele morreu sem ser assassinado pelo Nome de Jesus.

SÃO FRANCISCO QUERIA SER MÁRTIR

São Francisco de Assis diante do sultão

São Francisco sabia que o sangue dos mártires é semente de novos cristãos. Ele, então, por amor a Deus, desejando salvar mais almas, partiu para o Oriente com o desejo de ser mártir (1), derramar seu sangue para que mais cristãos surgissem no mundo. Estava acontecendo uma guerra entre os cristãos e os sarracenos. Ele soube que o sultão tinha publicado um édito, prometendo um talento de ouro para quem lhe levasse a cabeça de um cristão.

Junto com Frei Iluminado, assim chamado por sua grande capacidade de discernimento e santidade, vão andando rumo aos dois exércitos em guerra. São, então, aprisionados pela guarda avançada dos sarracenos. Os guardas, com ódio no rosto, batem violentamente nos dois, zombam, querem matá-los, mas por desígnio da providência Divina, levam-nos, prisioneiros, para o sultão.

O sultão quis saber por que estavam próximo ao campo de batalha; e por que, mesmo machucados, estavam tão tranquilos; se não temiam a morte. São Francisco falou que Deus o tinha enviado para lhe indicar, como também ao povo dele, o caminho da salvação pela pregação do evangelho de Jesus Cristo.

Vendo que o sultão o escutava, São Francisco pregou sobre o mistério da Santíssima Trindade. O sultão gostou de ouvir e o convidou a ficar uns tempos com ele. São Francisco disse que se ele, com seu povo, quisessem se converter, ele ficaria, mas que via dúvidas e indecisão no olhar do sultão. Então, para dissolver a dúvida quanto ao Deus verdadeiro, se era Alá ou Jesus Cristo, que ele mandasse acender uma fogueira grande, para que ele (São Francisco) e os sacerdotes de Alá entrassem nela. Se ele saísse vivo, então o sultão deveria reconhecer quem é Deus e se converter; se os sacerdotes de Alá saíssem vivos, então Alá era Deus.

Os sacerdotes de Alá, ao ouvirem essa proposta de São Francisco ao sultão, foram se esgueirando e saindo devagarinho. O sultão, ao ver que seus sacerdotes tinham sumido, disse que os sacerdotes de Alá não tinham coragem para tamanha prova de fé. São Francisco, então, disse que, se o sultão prometesse que se converteria a Jesus Cristo se ele entrasse e saísse vivo da fogueira, que ele iria entrar sozinho. Por medo do povo, o sultão não aceitou o desafio. Por mais que fizesse, São Francisco não conseguiu ser mártir.

E nós, se não nos prepararmos espiritualmente, se a oportunidade para o martírio se apresentar, o que faremos?
Negaremos a Cristo?
O que meu amor, minha fé, minha mentalidade de hoje me faz responder?

Se sua resposta é: “Isso não vai acontecer comigo, hoje em dia não se mata mais cristãos. Vou morrer de velhice, servindo a Deus.”

Aconselho: 
Não pense assim, pois a perseguição aos cristãos e à Igreja antes era localizada em alguns países, como: China, Coreia do Norte, Rússia, Eritréia, Laos, Afeganistão, Somália, Líbia, Paquistão, Sudão, Iémen, Irã e Índia. Porém, no ano de 2020, começou a se alastrar no mundo todo. Isso pode ser um sinal de que poderá haver mártires no Brasil.

Essa afirmação é um pensamento negativo, pessimista? Não! É uma afirmação realista. Só não vê quem não quer ver. 

Nunca tinha se visto no Brasil igrejas serem vandalizadas, diversos assassinatos de padres e um ódio crescente contra nós, católicos. Isso é ou não é um alerta?

O que fazer?
Nossa Senhora disse, em sua aparição em Fátima/Portugal, que a reza diária do Rosário e jejum têm o poder de parar guerras.

O MARTÍRIO DE 16 CARMELITAS ENCLAUSURADAS DE COMPIÈGNE NA REVOLUÇÃO SOCIALISTA FRANCESA

No livro “A Última ao Cadafalso”, a escritora Gertrud von le Fort faz relatos da crueldade de Satanás, através da perversa revolução francesa, feita sob os gritos de “Igualdade, liberdade e fraternidade”, em 1789. Os revolucionários direcionaram seu ódio principalmente contra a Igreja Católica.

A multidão comprime-se em volta da guilhotina. Entre os condenados, veem-se diversas mulheres de capa branca: são as dezesseis carmelitas do convento de Compiègne…

Praça do Trono, 17 de julho de 1794. — “São cerca de oito horas da tarde. É verão e o céu ainda está claro. A multidão comprime-se em volta da guilhotina, erguida no centro da antiga Place du Thrône, atual Barriére de Vincennes. Junto dos degraus que conduzem ao cadafalso, o carrasco, Charles-Henri Sanson, espera respeitosamente de pé, flanqueado por dois ajudantes. O calor é opressivo, e em toda a praça reina um odor mefítico de sangue.

Vindos da cidade, despontam os carroções. Hoje são dois, e vêm bastante cheios: ao todo, serão quarenta vítimas. Recebem-nas as exclamações e ameaças habituais, mas o barulho logo se abafa em murmúrios de espanto. Acontece que, entre os condenados, se vêem diversas mulheres de capa branca: são as dezesseis carmelitas do convento de Compiègne. Ao contrário dos seus companheiros de infortúnio, não deixam pender a cabeça nem choram ou gritam; trazem o rosto erguido, e a linha firme do corpo é sublinhada pelas mãos amarradas às costas. E cantam: aos ouvidos de todos, ressoam as notas quase esquecidas da Salve Rainha em latim e do Te Deum. Até para o mais empedernido dos basbaques presentes, é um espetáculo inaudito.

Quando os carroções param ao pé do cadafalso, o burburinho faz silêncio absoluto. Até essas mulheres histéricas, as chamadas “fúrias da guilhotina”, que sempre estão na primeira fila dos espectadores, emudecem.

As primeiras a descer são as carmelitas. Uma delas, a priora, Madre Teresa de Santo Agostinho, aproxima-se do carrasco e lhe pede que lhes conceda uns minutos para poderem renovar os seus votos e que a deixe ser a última a sofrer a execução, para que possa animar cada uma das suas filhas até o fim. Sanson, o carrasco, alma delicada, concorda de bom grado.

Todas juntas, cantam o Veni Creator Spiritus. A seguir, renovam os seus votos religiosos. Enquanto rezam, uma voz de mulher sussurra na multidão: “Essas boas almas, vejam se não parecem anjos! Pela minha fé, se essas mulheres não forem direto ao Paraíso, é porque o Paraíso não existe!…”

A priora recua até a base da escada. Tem nas mãos uma estatueta de cerâmica da Virgem Maria com o Menino Jesus ao colo. A primeira a ser chamada, a mais jovem de todas, é a noviça Constança. Ajoelha-se diante da Madre e pede-lhe a bênção. Segundo uma testemunha, ter-se-ia também acusado nesse momento de não haver terminado o ofício do dia. Com um sorriso, a Madre diz-lhe: “Vai, minha filha, confiança! Acabarás de rezá-lo no Céu”…, e dá-lhe a beijar a imagem.

Constança sobe rapidamente os degraus, entoando o salmo Laudate Dominum omnes gentes, “Louvai o Senhor, todos os povos”. “Ia alegre, como se se dirigisse para uma festa”. O carrasco e seus ajudantes, com gesto profissional, dispõem-na debaixo da guilhotina. Ouve-se o golpe surdo do contrapeso, o ruído seco da lâmina que cai, o baque da cabeça recolhida num saco de couro. Sem solução de continuidade, o corpo é lançado ao carroção funerário.

Uma por uma, as freiras ajoelham-se diante da priora e pedem-lhe a bênção e permissão para morrer. Cantam o hino iniciado por Constança. Quando chega a vez da Irmã de Jesus Crucificado, que tem 78 anos, os jovens ajudantes do carrasco têm de descer para ajudá-la a vencer os degraus. Ela diz-lhes afavelmente: “Meus amigos, eu vos perdoo de todo o coração, tal como desejo que Deus me perdoe”.

Só falta a Madre. Com gesto simples e firme, beija a estatuinha e a confia à primeira pessoa que tem ao lado. (Essa imagem foi devolvida mais tarde à Ordem e encontra-se hoje no Carmelo de Compiègne, novamente fundado em 1867.) Tem 41 anos, um rosto expressivo, nem muito bonito nem feio; o porte é, mais do que altivo, descontraído. Os olhos castanhos, sofridos, mas irradiando bondade, procuram os do Pe. Lamarche, que as confessara no dia anterior na prisão e que se encontra entre a multidão. Como quem tem pressa em concluir uma tarefa urgente, sobe por sua vez os degraus.

Agora tudo terminou. Pode-se cortar o silêncio como se fosse um queijo. Muitos dos assistentes choram baixinho. Anos mais tarde, encontrar-se-ão — registrados em cartas pessoais, diários íntimos e memoriais — os ecos da emoção que experimentaram e dos efeitos que ela lhes causou: muitos sentiram a necessidade de mudar de vida, de retomar a prática dos sacramentos, um ou outro de ingressar num convento… Um deles, um menino que presenciara a cena das janelas de um prédio situado em frente da guilhotina, guardou dela uma impressão tão profunda que, anos mais tarde, quando fazia o serviço militar, carregava sempre consigo as obras de Santa Teresa de Ávila e acabou por fazer-se sacerdote. “O amor vence sempre”, costumava dizer a Madre priora; “o amor vence tudo”.

Os corpos foram levados às pressas para o antigo convento dos agostinianos do Faubourg de Picpus. Lá foram lançados na fossa comum e cobertos de cal viva. Hoje há ali um gramado cercado de ciprestes, com uma simples cruz de ferro. É um lugar de silêncio e oração.

Na capelinha anexa a esse cemitério, há uma lápide que traz o nome das dezesseis mártires beatificadas em 27 de maio de 1906 por São Pio X.” (2)

Deus, que é bom, misericordioso e poderoso, abençoe-nos a todos.
J.V.



Notas:
1 – O que lembro de cabeça do livro de Tomás de Celano.
2 – In: Gertrud von le Fort. A última ao cadafalso: medo e esperança, trad. port. de Roberto Furquim. São Paulo: Quadrante, 1998, pp. 120-123.

18 comentários

  1. Que devo amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o meu coração e com todas as forças do meu ser. Maria Santíssima eu te peço rogai por mim para que eu nunca negue a Jesus. Que eu o ame até o último instante da minha vida.
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  2. Que devo combater o bom combate, guardar a fé, para que possa ganhar a coroa da salvação.
    Deus nos abençoe e nossa senhora nos cubra com seu manto sagrado 🙏🏻
    Obrigada vocação de Jesus

  3. Que sofrer quer dizer uma declaração de Amor a Deus por Nós!!!
    Hoje sofro com as reações de umas quimioterapias que estou fazendo. Mas procuro dizer: Louvado Seja Deus e Seja Feita Sua Vontade em minha Vida.

  4. Diz Santo Antônio Maria Claret, que quando pregava o bem aventurado São João de Ávila, estremeciam as paredes e todos saíam em silêncio e compungidos. Foi o que.aconteceu conosco hoje após esta pregação. Deus Seja Louvado e Amado!

  5. Muito edificante o testemunho de coragem e amor a Deus das carmelitas mártires.Que o senhor nos fortaleça e nos encoraje a vivermos a vontade dele até o dia em que estejamos com ele por toda a eternidade.

  6. Que Deus nos prepare para, nos tempos mais difíceis, não renunciamos seu nome e sermos fiéis até o fim, a exemplo dos Santos Mártires.

  7. Senhor Deus, dai-nos a coragem, a fé e o amor dos santos e mártires, para sermos fiéis ao chamado de amor que Tu nos fizestes.🙏🙏🙏

  8. Existem dois filmes sobre as Carmelitas Mártires de Compiegne. Sempre que reassisto a parte do martírio me emociono de novo com tamanho testemunho de amor a Deus!

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