Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado!

Chegou o Natal! Tempo de festa! Mas não uma festa qualquer… as exigências para essa festa são diferentes. 

Natal é uma festa em que não é exigência ter um grande espaço, com boas comidas e pessoas bem arrumadas. Não precisa de uma grande decoração, com gastos exorbitantes e muitos presentes. As exigências do Natal são diferentes. São bem mais simples, porém, bem mais raras…

É preciso, para uma boa noite de Natal, apenas um coração acolhedor, que espera ansiosamente a chegada do Menino Jesus. É preciso ter a alma mergulhada no mistério divino, uma oração que se dirige a Deus para pedir a dignidade de ser um presépio vivo, onde Jesus escolhe nascer ao lado de José e Maria.

É preciso, na noite de Natal, antes de preparar qualquer coisa, preparar a alma, a consciência. Aceitar a restauração que Jesus fará em nós, purificando-nos do mal, dando-nos nova vida!

Que graça é viver uma divina noite de Natal! Olhar a linda cena expressa no presépio e fazer a consagração de todo nosso ser ao Menino Jesus.

Que nesta santa noite que se aproxima, a nossa alma não perca o verdadeiro sentido do Natal, e ao lado de José e Maria, olhe para o Rei dos reis, que se fez simples em uma manjedoura, e diga: “Seja bem-vindo, meu Divino Menino. Estou aqui! Não te decepcionarei! Meu coração é teu coração! E se muitos hoje não te amam, eu O amo por todos!”

Uma feliz e santa noite de Natal!!!

Meditemos um pouco mais sobre o nascimento de Jesus através destas palavras de Santo Afonso de Ligório, extraídas do livro “Meditações para todos os Dias e Festas do Ano.”


NATIVIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

“Completaram-se os dias em que (Maria) devia dar à luz; e deu à luz o seu filho primogênito.”

(Lc 2, 6)

SUMÁRIO – Imaginemos ver a Jesus já nascido na gruta de Belém, e ouvir os anjos cantar glória a Deus e paz aos homens de boa vontade. Quais devem ter sido os sentimentos que então se despertaram no coração de Maria, ao ver o Verbo divino feito seu filho! Qual a devoção e ternura de São José ao apertar contra o coração o santo Menino! Unamos os nossos afetos com os desses grandes personagens.

I. Quando Maria Santíssima entrou na gruta, pôs-se logo em oração. De súbito vê uma refulgente luz, sente no coração um gozo celestial, abaixo os olhos, e, ó Deus! Que vê? Vê já diante de si o Menino Jesus, tão belo e tão amável, que eleva os corações. Mas treme e chora; segundo a revelação feita a Santa Brígida, estendia as mãozinhas para dar a entender que deseja que Maria o tome nos braços. Maria, no auge de santa alegria, chama José. – Vem, ó José, disse ela, vem e vê, pois já nasceu o Filho de Deus. – Aproxima-se José, e vendo Jesus nascido, adora-o por entre uma torrente de doces lágrimas.

Em seguida, a santa virgem, movida de compaixão maternal, levanta com respeito o amado Filho, e conforme a já citada revelação, faz por aquecê-lo com o calor de seu rosto e do seu peito. Tendo-o no colo, adora o divino Menino como seu Deus, beija-lhe os pés como a seu Rei, e beija-lhe o rosto como a seu Filho e procura depressa cobri-lo e envolvê-lo nas mantilhas. Mas ai, como são ásperos e grosseiros os paninhos! Além disso, são frios e úmidos, e naquela gruta não há lume para aquentá-los.

Consideremos aqui os sentimentos que surgiram no coração de Maria, quando viu o Verbo divino reduzido por amor dos homens a tão extrema pobreza. Contemplemos a devoção e a ternura que ela experimentou quando apertava o Filho de Deus, já feito seu filho, contra o coração. Unamos os nossos afetos aos de tão boa Mãe e roguemos a Deus Pai “que o novo nascimento do seu Unigênito feito homem, nos livre do antigo cativeiro, em que nos tem o jugo do pecado (1)”.

II. Jesus nasceu! Vinde, ó reis, príncipes e todos os homens da terra, vinde adorar o vosso Rei. Mas quem é que se apresenta?… Ah! O Filho de Deus veio ao mundo, e o mundo não o quis conhecer. Porém, se não veem os homens, veem ao menos os anjos adorar o seu Senhor, e cantam jubilosos: Gloria in altissimis Deo, et in terra pax hominibus bonae voluntatis (2) – Glória a Deus nas alturas, e na terra paz aos homens de boa vontade. Glória à divina Misericórdia, que, em vez de castigar os homens rebeldes, fez o próprio Deus tomar o castigo sobre si, e assim os salvou. Glória à divina Sabedoria, que achou meio de satisfazer à Justiça, e ao mesmo tempo, de livrar o homem da morte merecida. Glória ao divino Poder, que de um modo tão admirável venceu as forças do inferno. Glória finalmente ao divino Amor, que induziu um Deus a fazer-se homem e a levar uma vida tão pobre, humilde e penosa. – Meu irmão, unamos as nossas adorações às dos anjos e digamos com a nossa santa Madre Igreja:

Gloria in excelsis Deo! Glória a Deus nas alturas, e na terra paz aos homens de boa vontade. Nós Vos louvamos, Vos bendizemos, Vos adoramos, Vos glorificamos. Graças Vos damos por vossa grande glória, Senhor Deus, Rei do céu, Deus Pai todo-poderoso. Ó Senhor, Filho unigênito de Deus, Jesus Cristo, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai: Vós, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós. Vós, que tirais os pecados do mundo, aceite as nossas súplicas. Vós, que estais sentado à mão direita do Pai, tende piedade de nós. Porque só Vós, ó Jesus Cristo, sois Santo, só Vós o Senhor, só Vós o Altíssimo, com o Santo Espírito, na glória de Deus Pai. Assim seja. (3)

Referências:
(1) Or. fest.
(2) Lc 2, 14
(3) Miss. Rom.


ALEGRIA TRAZIDA AO MUNDO PELO NASCIMENTO DE JESUS CRISTO

“Anuncio-vos um grande gozo, que será para todo o povo; e é que vos nasceu hoje o Salvador.”

(Lc 2, 10)

Sumário. Organizam-se grandes festejos num país, quando ao rei nasce seu filho primogênito. Quanto mais não devemos nós festejar o nascimento do Filho unigênito de Deus, que veio do céu para nos visitar. Talvez alguém deseje carregar o Menino Jesus nos braços; mas avivemos a nossa fé e lembremo-nos de que na santa comunhão recebemos, não somente em nossos braços, mas também dentro do nosso peito, o mesmo Jesus, que por nosso amor esteve deitado no presépio de Belém.

I. O nascimento de Jesus Cristo trouxe alegria geral ao mundo inteiro. É Ele o Redentor desejado durante tantos anos e com tamanho ardor, que por esta razão foi chamado o Desejado das gentes, o Desejado das colinas eternas. Eis que já veio, nascido numa gruta estreita. Façamos que o anjo nos anuncie o mesmo gozo que anunciou aos pastores, e que nos diga: Ecce enim evangelizo vobis gaudium magnum, quod erit omni populo: quia natus est vobis hodie Salvator — “Anuncio-vos um grande gozo, que será para todo o povo; e é que vos nasceu hoje o Salvador”. — Que festejos não se organizam num país, quando nasce ao rei seu filho primogênito! Muito mais devemos nós festejar o nascimento do Filho de Deus, que veio do céu para nos visitar, movido unicamente pelas entranhas da sua misericórdia: per víscera misericordiae Dei nostri, in quibus visitavit nos oriens ex alto (1).

Nós nos achávamos em estado de condenação, e eis que Jesus veio para nos salvar: Propter nostram salutem descendit de coelis — “Desceu dos céus para a nossa salvação”. Eis aí o Pastor, vindo para salvar da morte as suas ovelhas, dando a vida por amor delas. — Ego sum pastor bonus; bonus pastor animam suam dat pro ovibus suis (2) — “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a própria vida pelas suas ovelhas”. Eis aí o Cordeiro de Deus que veio sacrificar-se para nos obter a graça divina e fazer-se nosso libertador, nossa vida, nossa luz, e nosso alimento no Santíssimo Sacramento. Diz Santo Agostinho que, entre outras razões, Jesus quis ser posto numa manjedoura, onde os animais acham o pasto, para nos dar a entender que se fez homem também para se tornar nosso alimento.

Jesus nasce, por assim dizer, nasce cada dia no Santíssimo Sacramento por meio da consagração feita pelo sacerdote. O altar é como que o presépio, onde nos alimentamos com a sua própria carne. Talvez alguém deseje trazer o Menino Jesus nos braços, assim como o trouxe o velho Simeão. Mas a fé nos ensina que na santa comunhão temos, não somente em nossos braços, senão dentro do nosso peito, o mesmo Jesus, que esteve no presépio de Belém. Nasceu precisamente a fim de se dar a nós: Parvulus natus est nobis, et filius datus est nobis (3) — “Nasceu-nos uma criança, e foi-nos dado um filho”.

II. Erravi sicut ovis quae periit: quaere servum tuum (4) — “Andei errando como uma ovelha que se desgarrou; busca o teu servo”. Senhor, eu sou a ovelha que por ir atrás das minhas satisfações e dos meus caprichos, desgarrei miseravelmente; mas Vós, ó Pastor e também Cordeiro divino, baixastes do céu para me salvar, sacrificando-Vos como vítima, sobre a Cruz, em satisfação dos meus pecados. Que devo, pois, temer, se resolvo emendar-me? Não devo confiar inteiramente em Vós, meu Salvador, que nascestes precisamente a fim de me salvar? Ecce Deus, Salvator meus, fiducialiter agam, et non timebo (5) — “Eis aqui está Deus, meu Salvador, resolutamente obrarei e nada temerei”. Para me inspirar confiança, que penhor mais seguro de misericórdia podereis dar-me, depois da vossa própria pessoa? Ó meu querido Menino Jesus, quanto me aflige a lembrança de Vos ter ofendido. Tenho-Vos feito chorar na gruta de Belém. Mas, se Vós me viestes buscar, eis que me prostro aos vossos pés,’ e apesar de Vos ver humilhado e aniquilado nessa manjedoura, deitado sobre a palha, reconheço-Vos como meu supremo Senhor e Rei.

Ouço que os vossos doces gemidos me convidam a amar-Vos e me pedem o coração. Ei-lo, ó meu Jesus, deposito-o a vossos pés; transformai-o e abrasai-o, Vós que viestes ao mundo a fim de abrasar os corações em vosso santo amor. Ouço que lá de dentro dessa manjedoura me dizeis: Diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo (6) — “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração.” E eu Vos digo: Ah! Jesus meu, se não Vos amar a Vós, que sois meu Senhor e meu Deus, a quem amarei? Vós dizeis que sois meu, porque nascestes a fim de Vos dar todo a mim; e eu recusarei ser vosso? Não, meu amado Senhor, dou-me todo inteiro a Vós e amo-Vos de todo o meu coração. Amo-Vos, amo-Vos, amo-Vos, ó meu Bem supremo, ó amor único da minha alma. Por favor, aceitai-me neste dia, e não permitais que eu ainda deixe de Vos amar.

Ó Maria, minha Rainha, pela consolação que tivestes, quando pela primeira vez contemplastes o vosso Filho nascido, e lhe destes os primeiros abraços, rogai por mim para que vosso Filho me aceite como propriedade sua e me prenda para sempre a si pelos laços do seu santo amor.

Referências:
(1) Lc 1, 78
(2) Jo 10, 11
(3) Is 9, 6
(4) Sl 118, 176
(5) Is 12, 2
(6) Mt 22, 37

2 comentários

  1. Quando meditamos sobre a vinda de Jesus menino, que alegria brota no coração 💓 por saber que temos um Pai que tanto nos ama, e junto com Ele, nasce a mais bela família! Jesus Maria e José! Gratidão meu Senhor!!!

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